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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

27
Nov22

Entreparedes

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No livro de Afonso Cruz “Para onde vão os guarda-chuvas”, Fazal Elahi era dono de uma fábrica de tapetes e andava sempre a olhar para o chão, o seu maior desejo era desaparecer entre as paredes.

Convenci-me que me sentia assim, tão pouco interessante e útil, que o melhor seria ficar no meu canto, fundir-me com as paredes, remetida ao silêncio.
Há umas semanas alguém escreveu uma publicação sobre as pessoas que deixam de escrever nos seus espaços e também elas ficam em silêncio. O autor propunha várias explicações, desde desinteresse, falta de interação com os seus leitores, a ausências por motivos vários.
Naturalmente pensei, durante estes meses, escrever e publicar neste espaço. Mas acontecia que este espaço, apesar de conter coisas pequenas, parecia-me enorme! E depois, poderia ser desmascarada, deixar as paredes branco-primavera do meu espaço físico e o leitor descobrir que afinal havia palavras dentro de mim.

25
Abr22

25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!

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O Espaço das Pequenas Coisas não podia deixar de assinalar este 25 de Abril de 2022, que assinala também o ano em que temos mais dias de Democracia e Liberdade do que Ditadura e Fascimo.

Naturalmente um reconhecimento especial a todos os que fizeram a Revolução dos Cravos e de forma exemplar.

Hoje, como em tantos dias, recordamos o saudoso Presidente Jorge Sampaio e o seu apelo à união: 25 de Abril sempre, fascismo nunca mais! 

10
Abr22

Até já…

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Na semana passada refleti muito sobre a minha presença na blogosfera, sobre a minha voz, sobre este Espaço das Pequenas Coisas.

 

Pensei se seria oportuno continuar a publicar pequenas coisas quando há coisas tão grandes e importantes a acontecer no mundo e que me fazem sentir tão pequena e impotente.

 

Eis que os comentários do leitor são, regra geral, encorajadores e compassivos. Foi uma pequena coisa, mas fez-me sentir reconhecida por ter partilhado emoções e sentimentos tão íntimos.

 

A verdade é que há muitas forças a moverem-se nos bastidores deste Espaço que me fizeram perder alguma objetividade, capacidade para ler e investigar e, sobretudo, disponibilidade para me expor neste palco d’As Pequenas Coisas.

 

Não sendo um Adeus, é um Até já…vou cuidar de mim e dos meus. Vou dando notícias de pequenas coisas.

 


VER NO SOFÁ
Não podia deixar de falar sobre os filmes que me ajudam a criar alguma perspectiva como Lost In Translation (Sofia Coppola), que me transporta para aquilo que nos une enquanto seres humanos e o que a intransponibilidade que, por vezes, criamos socialmente.
Outro filme que me ajuda a relevar as dores da vida é o filme About Time (Richard Curtis) que fala sobre família, crescer e a necessidade imperativa de viver o dia-a-dia com alegria e esperança.


LER DEVAGAR
Há uns anos, quando os meus primos se mudaram para a Dinamarca, resolvi oferecer-lhes o livro Hygge (Meik Wiking) que me trouxe o conforto dos serões passados à lareira ou as manhãs frias da aldeia, a necessidade de estar em comunhão com a Natureza.
Outro livro a que volto sempre é Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez) que também fala sobre as famílias e a complexidade das relações.
Não podia deixar de escrever sobre Fernando Pessoa e a sua poesia que tanto nos dá e sobre Milan Kundera e a estranheza da experiência humana, do amor e da liberdade.
No que toca à literatura, escolher é quase profano.


OUVIR COM CALMA
Sempre que me sinto inquieta volto à música clássica. Ouvir a Sinfonia no. 4 de Bach transporta-me para a minha infância e adolescência, as emoções fortes e a comunhão com a Natureza.
A Bossa-Nova é uma presença constante na minha vida, seja a cozinhar ou a dançar, evoca sentimentos de saudade e nostalgia, amor e alegria, a revolução. Tom Jobim, Caetano Veloso, Chico Buarque, Maria Bethânia, Elis Regina, entre tantos mais.
A verdade é que o silêncio é o mais poderoso dos sons e, por vezes, passo uma temporada sem ouvir música, só o som da vida a acontecer.


DE OLHOS BEM ABERTOS
Há muitos artistas que me comovem mas nenhum como Frida Kahlo cuja história de vida é inspiradora e tão violentamente exposta na sua pintura e fotografia.
Há muitos anos vi uma exposição de Alberto Carneiro e fiquei sem palavras. Mais uma vez apareceram os temas da comunhão com a Natureza e a harmonia da vida.


VAGUEANDO POR AÍ
Algumas das minhas viagens preferidas estão ligadas à história dos lugares e às pessoas que conheci. Em Itália sentimo-nos em casa, as pessoas são tão próximas da família e afetuosas como os Portugueses, a comida não deixa nada a desejar e a paisagem é de uma beleza infinita.
Na Turquia quase fiquei sem ar, perante a beleza da paisagem e engenhosidade dos nossos antepassados para sobreviver com segurança e algum prazer. Apesar de vivermos de forma tão diferente, não há dúvida de que há um sentimento de comunhão, de familiaridade com alguns aspetos culturais, porventura alguma memória histórica que perdura na nossa memória coletiva…

27
Mar22

Reset

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Nas últimas semanas tenho tido muita dificuldade em dormir, o meu coração bate (literalmente) mais depressa e as enxaquecas são mais frequentes. A guerra, o covid, o futuro parecem absurdos. O mundo parece estar suspenso, à espera de um sinal, um ramo de paz, algo que nos permita suspirar de alívio. E, no entanto, os noticiários enchem-se de histórias de desgraça, desespero, fratura.

 

Sei que pode parecer fútil, até inconsciente mas, para bem da minha saúde, decidi não ver mais noticiários. Claro que continuo a ser fiel leitora dos principais jornais e cronistas, mas não aguentava mais o poder que as imagens têm sobre mim. Por isso decidi parar e quando parei chorei. Por todas as crianças que ficaram órfãs, por todas as Mães que deixaram os seus filhos, por todos os jovens que lutam nesta guerra, por todo um povo que luta pelo seu território, pela sua identidade. Bem sei que existem muitas guerras, mas esta é aqui, no nosso bairro, com os nossos vizinhos, com os nossos amigos.

 

Depois de secar as lágrimas, lembrei-me do que a minha Mãe me diz sempre: “se não estamos bem, não podemos cuidar dos outros”. Por isso decidi olhar bem para mim, pensei em todas as coisas difíceis que 2022 já me trouxe, mas também nas alegrias. De repente comecei a sentir o meu corpo, as dores nas costas, nas pernas, no pescoço. Tenho tomado alguns banhos de imersão, feito muitos alongamentos, apertado os músculos contra o foam roller. Alguma dor melhorou, mas tenho de reconhecer, grande parte desta dor é também mental.

 

Então senti o meu coração, o que doía mais, a solidão, o isolamento, a desconexão com os meus, mas acima de tudo a clivagem dentro de mim. Precisava de me agregar, mais do que com os outros, comigo mesma em primeiro lugar. Escrevi num papel o que preciso de fazer para me sentir bem num dia, só mesmo o básico: acordar, espreguiçar-me, tomar um duche, comer a horas certas e incluir sempre legumes e fruta, fazer a minha rotina de pele, dar um passeio ao ar livre, ler pelo menos dez minutos, escrever uma página por dia.

 

Já não sei dizer onde ouvi, mas ser adulto é simplesmente fazer as coisas chatas da vida: responder a emails, ligar a pessoas, marcar reuniões, ir aos correios, esperar na fila das finanças, ouvir muitos “não”, cometer vários erros. Se tivermos sorte, nada será tão mau que não possa ser corrigido com um pedido de desculpa, alguma empatia e muita compaixão.

 

 

OUVIR COM CALMA

Muito antes desta guerra, José Milhazes falou da complexidade das relações entre a Ucrânia e a Rússsia e a Rússia e o Ocidente, bem como dissertou sobre a cultura e visão russas no podcast #45GRAUS. Vale a pena ouvir.

 

VER NO SOFÁ

E hoje conhecemos os vencedores dos tão cobiçados OSCARES. Ao que parece, a RTP volta a transmitir a cerimónia em direto a partir das 23h, na RTP1. Quais são os vossos filmes favoritos?

20
Mar22

Dia Mundial da Poesia

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@rupikaur_

 

VER NO SOFÁ

A Fundação Francisco Manuel dos Santos organizou mais um Fronteiras XXI desta vez sobre o Cancro, o estado das coisas e o que ainda pode ser feito. Como melhorar a esperança média de vida mas sobretudo como melhorar a qualidade de vida dos doentes com cancro. Vale a pena espreitar no site da fundação ou na RTP3. 

 

 

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