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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

14
Abr21

Kit de Sobrevivência XXVII - Adam Grant

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Ultimamente tenho-me sentido exausta. Não sei se é o cansaço pandémico ou a constante preocupação transformada em listas, a verdade é que tenho dormido mal ou quase nada.

 

Depois de ouvir o podcast semanal da Deliciously Ella com Adam Grant “How to supercharge your brain” senti que tinha de recuperar o controlo da minha vida. Decidi experimentar a abordagem “científica” que Adam Grant propõe e analisei as áreas da minha vida: alimentação, sono e energia.

 

Como o leitor poderá saber, há quase um ano que mudei a minha alimentação e, apesar de inicialmente ter notado uma melhoria no meu bem-estar geral, a verdade é que o efeito se foi esbatendo. Podia olhar também para o meu padrão de sono, mas como a insónia é um “defeito” de família nem valia a pena uma análise crítica.

 

Percebi, então, que o meu corpo precisava de movimento. Retomei as minhas caminhadas, mas decidi elevar a dificuldade aumentando o meu objetivo de passos para 10 000 passos por dia. Além disso, retomei lentamente o yoga, só 10-15 minutos por dia, obviamente tendo em conta as limitações desde a cirurgia.

 

No entanto, o aspeto mais relevante desta mudança foi provavelmente retomar a meditação, especialmente o body scan. Esta técnica de meditação, que pratico através da app ao som da voz do monge budista Gelong Thubten, implica focar a atenção no corpo. Ao direcionar a atenção para as diferentes partes do corpo torna-se mais fácil deixar os pensamentos e preocupações, as listas intermináveis. Há muitos anos que faço meditação, mas este tipo de body scan é particularmente eficaz para pessoas que, como eu, passam demasiado tempo a pensar no passado e no futuro e esquecem-se que o presente é agora.

 

Esta pandemia, como já escrevi, fez-me repensar vários aspetos da minha vida. Talvez o mais relevante seja a maneira como invisto o meu tempo e disponibilidade, como cuido do meu corpo e como meço o sucesso.

11
Abr21

A vida a acontecer

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Desde o início dos tempos, a Natureza é um ciclo quase perfeito, uma repetição contínua de padrões.


O Sol nasce e anuncia o dia, a Lua brinca às escondidas, trazendo consigo a noite. As abelhas e as flores trabalham em conjunto, numa sincronia perfeita que perpetua a vida.


Imaginemos agora, caro leitor, que este padrão é interrompido. As abelhas param de colher o pólen e, assim, termina a polinização. Durante um tempo, as flores murcham até que desaparecem da Terra. As abelhas, sem o seu alimento, deixam as colmeias e desaparecem do nosso planeta. Consequentemente outras espécies desaparecem também.


Mas a Natureza é justa e implacável, ainda que as flores e as abelhas desapareçam, a vida continua a acontecer porque no seu ciclo perfeito há sempre esperança de um novo dia.

07
Abr21

Kit de Sobrevivência XXVI - Fernando Pessoa

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A quarentena, apesar de todas as coisas negativas que trouxe, também permitiu ter tempo para pensar, abrandar o ritmo, ganhar alguma perspectiva sobre vida, sobre o mundo, sobre as minhas escolhas, sobre as minhas palavras (literalmente).

 

Com alguma distância vi que os padrões que tinha para mim e para o mundo eram demasiado rigorosos e inatingíveis. Por exemplo, rapidamente examinava uma pessoa pelo que fazia, pelo seu estatuto profissional, pela sua perspetiva de carreira – a começar por mim. Muitos dos nossos preconceitos são adquiridos na primeira e segunda infância. Admito que, em parte, este preconceito provenha da exposição constante ao sucesso dos meus pais (mas os Pais não são tantas vezes os heróis?). Como disse, com a devida distância, percebo que foi um padrão interiorizado e reforçado pelas normas da sociedade, pelas minhas próprias experiências ao longo do tempo, com muitos agentes em diferentes contextos: académico, laboral, pessoal.

 

Com treino, meditação e introspecção, já consigo ser simultaneamente participante ativa de uma situação e observá-la com alguma distância, reflectir sobre o que está a acontecer enquanto acontece, observar as minhas reacções e parar, voltar atrás se for preciso e pedir desculpa sem cavar um poço de culpa mais fundo que a fossa das marianas. Também já sou capaz de estar sozinha, não sozinha, mas comigo mesma, sem medo das minhas falhas ou faltas. Hoje já não me importa tanto o que os outros possam pensar do meu estranho percurso de vida porque também já não julgo os outros pelo que fazem (ou pelo menos tento).

 

Quando era adolescente as minhas amigas diziam-me: “és tão empática” ou “és boa ouvinte” mas parecia-me absurdo porque só estava a ouvir. Anos mais tarde, quando conversava com uma amiga que estava com uma laringite, dei por mim a baixar também o meu tom de voz e, de repente, “fez-se luz”: percebi o que era empatia. Talvez a razão para não ter percebido até então tenha sido porque praticava-a pouco em mim mesma. Várias vezes fui muito crítica comigo mesma, disse coisas que nunca diria a uma amiga, mesmo em circunstâncias adversas.

 

E então, há um ano, veio a quarentena e tive de me confrontar comigo mesma. No processo percebi que os meus valores mudaram, as minhas relações mudaram, o que valorizo mudou. Hoje já não vivo inteiramente pelas normas da sociedade, mas também pelo que eu quero e sonho e penso muito bem antes de aceitar ou recusar alguma coisa.

 

Claro que os dias mudam e com eles há novos desafios, mas, no geral, diria que neste ano cresci muito. E gostava de dizer à minha adolescente que afinal vale a pena.

 

Nota: Este texto foi escrito seguindo as normas pré-acordo ortográfico.

04
Abr21

Domingo Pascal

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Esta semana ouvi uma entrevista de Sofia Coppola e Rashida Jones sobre como surgiu a ideia para o filme On the rocks. Ambas descendem de Pais famosos, mas não é essa a premissa do filme. O apelo, diziam a realizadora e atriz, é sentirmo-nos pequenas outra vez, sermos guiadas ao invés de guiar. Talvez por isso tenha gostado tanto do filme.

 

Lembro-me de ser pequena e o meu Pai adorar ducheses da nossa pastelaria local e, por isso, eu também comia, apesar de não gostar de chantili. Quando íamos no carro, ouvíamos sempre a TSF ou a Antena 1, algum programa de entrevistas ou os mesmos CDs: Tony Desare, Michael Bubblé, Campo Grande.

 

Acima de tudo, o que mais aprecio quando ando de carro com o meu Pai hoje em dia é espreitar no seu mundo, ouvir os seus receios por entre dentes, ouvir as suas “raivas” secretas, os seus arrependimentos infundados (na minha opinião), as suas quezílias interiores.

 

O meu Pai parece sempre saber para onde vai e o caminho para lá chegar. Conduz mais rápido que o Speedy Gonzalez mas sempre com segurança. O meu Pai é o clássico gentleman, mas sempre a favor do progresso e igualdade.

 

Sempre me apoiou em tudo o que decidi, sempre me motivou para além dos meus limites, tendo pouca tolerância para menos do que o seu padrão de qualidade. Tudo o que sempre quis, como qualquer filha, foi que o meu Pai se orgulhasse de mim.

 

Por isso, neste Domingo Pascal, penso que o meu Pai estaria orgulhoso de mim por ter a coragem de seguir o meu próprio caminho e escrever sobre as coisas que gostamos de fazer, a maneira como as nossas mentes circulam por vias semelhantes e também as nossas diferenças.

31
Mar21

Kit de Sobrevivência XXV - Einstein

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Tenho andado a pensar no navio encalhado no Canal do Suez. Lembro-me perfeitamente de ler sobre esta passagem na Enciclopédia, que é uma coisa que hoje já ninguém faz. O bloqueio deste canal impediu a travessia de dezenas de navios de carga, o atraso na expedição de centenas de artigos.

 

O mais curioso deste caso, para mim, foi o regresso à velhinha rota do Cabo das Tormentas, a única que tornava possível a passagem marítima entre o Oriente e o Ocidente. Não deixa de ser curioso como, às vezes, redescobrimos objetos que adorávamos ou damos um novo propósito às nossas coisas preferidas. Para mim são os livros.

 

Na minha mesinha de cabeceira tenho sempre, pelo menos, dois “montes”: no primeiro,  os livros que estou a ler: um de ficção, um de história ou uma biografia, o(s) livro(s) que quero ler em seguida e o meu kindle. No outro “monte” tenho o que chamo d’O meu cantinho feliz, uma pilha de livros, não mais que três ou quatro, que evocam memórias felizes ou que têm frases de que gosto ou um conceito que me agrada.

28
Mar21

Made in Portugal

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Fotografia: website Tory Burch

Esta semana recebi, no meu grupo digital de amigos, uma série de mensagens sobre Tory Burch. Numa série de mensagens os meus amigos explicaram que a estilista norte-americana tinha à venda no seu website uma camisola que, segundo a mesma, era inspirada no padrão mexicano da sua infância.

 

Abri o link, observei a camisola e notei um certo padrão familiar, especialmente no centro – o escudo português. Li o resto das mensagens. A estilista plagiou o design da camisola poveira, tradicionalmente bordada pelos pescadores da Póvoa de Varzim com lã da Serra estrela e linhas com as cores preta e azul. Um símbolo regional e portanto um verdadeiro tesouro nacional. Como se não bastasse, no website a dita camisola era vendida por 695€, quando a camisola original, leia-se, camisola poveira é vendida por cerca de 80€ na Póvoa do Varzim.

 

Desde então, a estilista fez uma série de manobras numa tentativa de apaziguar as centenas de mensagens nas redes sociais e no website. Inicialmente, corrigiu a descrição do item referindo que se tratava de “inspiração da Póvoa do Varzim”. Depois, emitiu um pedido de desculpa que só incendiou a discussão, particularmente quando a Câmara da Póvoa de Varzim prometeu levar o caso às últimas consequências, particularmente no campo legal. Mas a estilista continuava a vender a camisola por mais de oito vezes o preço original e o Governo Português emitiu um comunicado a admitir também ir a Tribunal lutar contra a apropriação cultural da camisola poveira. Finalmente, no fim-de-semana, a camisola deixou de constar no website e redes sociais da estilista.

 

Em tantos anos de amizade, tratando-se de um grupo tão grande quanto diverso – uns em diferentes cidades em Portugal, outros na Suíça, outros ainda na Suécia…- raramente estamos de acordo. Gosto muito dos nossos encontros pessoais porque são ricos e vivos, mas devo confessar que nem sempre consigo ver todas as mensagens. Considero-me mais uma participante observadora com uma voz desafiadora (ou incendiária, como o meu Príncipe gosta de brincar).

 

Como dizia, em tantos anos de amizade, não me lembro de um momento que tenha gerado um movimento tão unido como este: a Sara, quem nos alertou, denunciou o caso nas suas redes sociais, comentou no website e mobilizou-nos com a sua liderança para manifestar o apoio à camisola poveira e até o Francisco e o Guilherme, que raramente se envolvem em casos que não impliquem política (e por isso minhas almas-gémeas dentro do grupo), comentaram nas redes sociais, exigindo o fim da exploração da camisola poveira.

 

Quero deixar claro, caro leitor, que não sou a favor deste movimento de cancel culture porque muito se perde com a marginalização de autores. Contudo, neste caso, em que a inspiração é um plágio descarado parece-me necessário que além da camisola ser retirada exista uma indeminização à Câmara da Póvoa de Varzim e uma séria inspeção aos padrões em que a estilista se “inspira”.  

24
Mar21

O Espaço das Pequenas Coisas 2.0

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Começou no 2º ano, logo quando aprendi a escrever. Uma voz dentro de mim suspirava histórias sobre heróis e vilões, sobre a História e o Ambiente. Escrever era uma necessidade absoluta.


Com 9 anos eu e a minha melhor amiga escrevemos a nossa primeira adaptação do filme “O Príncipe do Egipto”, mas já com 8 anos escrevíamos “manifestos” sobre a sustentabilidade, a reciclagem e o meio ambiente.


Desde que me lembro escrevia diários tão longos e dramáticos que “O Diário da Nossa Paixão” parecia um conto de fadas para crianças. Não sei bem como surgiam as histórias que eventualmente acabavam nestes diários mas, ao ler um dos livros de David Sedaris, relembrei como a realidade não é objetiva, é apenas uma história que contamos a nós próprios.


Quando era adolescente comecei a escrever sistematicamente, a abrir os meus horizontes, a imaginar personagens totalmente distantes de mim. Uma vez escrevi uma história do ponto de vista de um canário amarelo aristocrata que desprezava a raça humana.


Durante a faculdade lia sobretudo livros e artigos densos e científicos, o que limitou o meu mundo e o meu vocabulário. Tornei-me “goal oriented” e deixei as longas horas de imaginação da minha adolescência para trás.


Quando comecei a trabalhar não tinha tempo para formar um pensamento que não fosse sobre o trabalho. Estava tão sobrecarregada que não me lembro de nenhum evento, nenhuma conversa, nada.


Depois o meu mundo parou e eu tive tempo. Para pensar, para ler mais e melhor, para respirar outra vez. E então comecei a escrever. E assim surgiu O Espaço das Pequenas Coisas.


No início horrorizava-me a ideia de que alguém pudesse ler o que escrevia e não disse a ninguém. Mas à medida que o leitor - desconhecido até então - foi expressando as suas opiniões e assim apropriando-se deste espaço que também é seu, senti-me mais confiante e escrever voltou a ser uma necessidade.


Há um ano escrevi a primeira crónica e, por isso, é natural que celebremos com um espaço mais bonito para criar mais pequenas coisas.

21
Mar21

Novo ano, as pequenas coisas

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Há quase um ano escrevia a minha primeira crónica aqui, n’O Espaço das Pequenas Coisas.


Numa altura em que o mundo parecia girar tão rápido, com ciclos de notícias e a incerteza sem fim, era nas pequenas coisas que encontrava refúgio para o meu coração acelerado, a minha mente constantemente perdida em pensamentos ruminativos.


Um ano depois, as minhas pequenas coisas foram aumentando em espaço, como o amor de uma Mãe se multiplica com a chegada de um novo filho.


Fui encontrando novos hábitos para me manter enraizada na minha visão - de onde venho, para onde quero ir - e fui ganhando coragem para voltar à minha rotina, mesmo quando falhava um dia ou às vezes uma semana.


Agora podemos rir desse tempo do House Party, da minha certeza na Páscoa em 2021, de todos os pratos de Chef queimados. Rir com compaixão pela ingenuidade, afinal, a esperança é o sentimento mais humano.


Talvez para o ano possamos rir de alívio ou então de exaustão ou descontentamento. Seja como for, continuarei a escrever porque nas palavras encontro o meu maior conforto e talvez o leitor possa encontrar também.

17
Mar21

Kit de Sobrevivência XXIV - Schopenhauer

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Há um ano perdemos coletivamente a primeira pessoa para a covid-19. Há um ano entrávamos em confinamento.


Tenho passado muito tempo só. Não é bem só, é comigo mesma que é muito diferente. Como já escrevi em várias crónicas, esta pandemia fez-me questionar a vida que levava, os hábitos que tinha, a forma como investia o meu tempo.


Não foi logo nos primeiros dias, talvez só duas semanas depois do início do confinamento é que senti um desconforto, como uma cobra rastejante no Verão.


A princípio não liguei, procurava desenfreadamente novas formas de adormecer a dor que via em todo o lado, o medo que sentia.


Mas no início de Abril, era inegável a necessidade de parar, refletir, passar tempo comigo própria. Olhar bem no espelho, (re)conhecer-me, ver o que gostava, observar o que não gostava e decidir o que fazer.


A primeira coisa que fiz foi estabelecer uma rotina que me impedisse de cair na espiral do esquecimento, no poço das redes sociais, nas séries e filmes, nos livros e imaginação.


Depois percebi que era fundamental apanhar sol e todas as manhãs vestia um top de ginástica e ali mesmo na varanda do nosso apartamento, com vizinhos e tudo, lia durante um bocado ao sol.


O resto veio por arrasto: yoga ou alongamentos, pilates ou caminhadas, o importante era mover-me.


Comecei a escrever e assim nasceu O Espaço das Pequenas Coisas. As crónicas seguiram-se umas às outras e as ideias não paravam. Quem diria que tenho tanto para dizer?


Ultimamente a inquietação tem sondado as minhas noites como aquela cobra no Verão. Mas desta vez sinto que temos razões para ter esperança.

14
Mar21

It must be very nice to be you

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Esta semana assisti a mais um brilhante e comovente filme de Sofia Coppola “On the rocks”, no seu reencontro com Bill Murray e a brilhante performance de Rashida Jones.

 

Os filmes de Coppola passam, na maioria das vezes, ao lado das grandes cerimónias e ainda bem, assim ficam num cantinho do mundo para descobrir num dia chuvoso ou numa crise de identidade.

 

O filme conta a história de Laura, uma mãe e escritora com "bloqueio de escritor", que desconfia que o marido a anda a trair com uma colega de trabalho da sua nova startup. Ao contar a sua teoria ao Pai, os dois embarcam numa viagem pela Nova Iorque dos anos 70 e 80 com os icónicos Carlyle Hotel e 21 Club, onde Felix parece conhecer e seduzir toda a gente.

 

Numa cena fulcral do filme Laura desabafa: “E se tudo o que descobrirmos for que o Dean está ocupado e eu estou numa rotina?”.

 

É um verdadeiro desafio para as famílias os diferentes ritmos entre homens e mulheres, a diversidade de tarefas subtis das mulheres e a singularidade e notoriedade do trabalho da maioria dos homens. A desigualdade de género no trabalho é real mas vai além disso, existe claramente um desequilíbrio no reconhecimento do trabalho pago e não-pago, como este que o leitor, se chegou até aqui está a ler.

 

Penso que o filme capta muito bem o sentimento de Laura não se sentir interessante o suficiente, ao ponto de embarcar numa aventura com o Pai enternecedor mas inconsistente no seu amor e presença. As loucuras que fazemos por amor.

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