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O espaço das pequenas coisas

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25
Out20

Lá, do outro lado do Atlântico

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Imagem de Patrick Chappatte para The New York Times a 14 de Março de 2017 "Trump meets Merkel"

 

Foi com grande ansiedade e expectativa que esta semana fui acompanhando a preparação, o evento e a pós-análise do debate presidencial norte-americano. Sempre tive interesse pela política (ver crónica "Kit de Sobrevivência III - Marcelo Rebelo de Sousa"), e contrariamente ao movimento da minha geração, sinto-me cada vez mais atraída pelo mundo obscuro da política, do jornalismo, dos negócios. Não sinto apatia, mas sim necessidade de acção, e talvez esta crónica seja o meu pequeno e humilde contributo.

Ao ver uma das minhas séries preferidas “The Office”, parece-me ver retratada a minha realidade, dos meus amigos ou familiares, uma realidade que podia ser “global” por estarmos americanizados na música, nos filmes, nas séries, na linguagem, nos negócios, na cultura. Porém, quando assisti na íntegra ao debate presidencial, senti-me transportada para uma realidade alternativa, como a personagem de Scarlett Johansson no filme “Lost in Translation”.

À medida que a semana foi decorrendo, fui reflectindo nas frases que foram ditas. Talvez a que mais me chocou foi quando, no tema do covid, Trump acusa Biden de querer criar um sistema socialista de saúde e Biden, não contendo a sua raiva, recorda que o que o distingue de todos os outros candidatos democratas (leia-se Bernie Sanders) é que ele não quer acabar com o sistema privatizado de saúde, mas sim criar o “Bidencare”, no qual as empresas seguradoras serão certamente incluídas.

Na Europa (que Trump, mais uma vez parece não perceber que é um continente e não um país), uma afirmação deste teor seria impensável. Na União Europeia, apesar de existirem sistemas de saúde privatizados, os cuidados de saúde não são negados a ninguém.

Em Portugal, em particular, tal seria impensável. Sim, existem tempos de espera desumanos, sim, há de falta material, sim, os profissionais de saúde não são tratados com o respeito que merecem, sim, os doentes são tratados como se fossem invisíveis, mas, apesar de tudo, não são negados cuidados de saúde a quem precisa, independentemente do seu estatuto, seguro, nacionalidade, cor da pele, o que for, tem direito a ser assistido.

Esta ideia de alguém se querer demarcar de cuidados de saúde universais horroriza-me, mas talvez eu não compreenda a cultura do capitalismo desenfreado, o “american dream” e tantos outros clichés.

As eleições norte-americanas podem parecem uma coisa lá do outro lado do Atlântico, mas a verdade é que não nos podemos dar ao luxo de perder o financiamento americano na ONU, não podemos perder o compromisso dos Estados Unidos no Acordo de Paris e, acima de tudo, não podemos ter mais quatro anos de um discurso de ódio, fake news e caos.

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