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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

11
Abr21

A vida a acontecer

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Desde o início dos tempos, a Natureza é um ciclo quase perfeito, uma repetição contínua de padrões.


O Sol nasce e anuncia o dia, a Lua brinca às escondidas, trazendo consigo a noite. As abelhas e as flores trabalham em conjunto, numa sincronia perfeita que perpetua a vida.


Imaginemos agora, caro leitor, que este padrão é interrompido. As abelhas param de colher o pólen e, assim, termina a polinização. Durante um tempo, as flores murcham até que desaparecem da Terra. As abelhas, sem o seu alimento, deixam as colmeias e desaparecem do nosso planeta. Consequentemente outras espécies desaparecem também.


Mas a Natureza é justa e implacável, ainda que as flores e as abelhas desapareçam, a vida continua a acontecer porque no seu ciclo perfeito há sempre esperança de um novo dia.

07
Abr21

Kit de Sobrevivência XXVI - Fernando Pessoa

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A quarentena, apesar de todas as coisas negativas que trouxe, também permitiu ter tempo para pensar, abrandar o ritmo, ganhar alguma perspectiva sobre vida, sobre o mundo, sobre as minhas escolhas, sobre as minhas palavras (literalmente).

 

Com alguma distância vi que os padrões que tinha para mim e para o mundo eram demasiado rigorosos e inatingíveis. Por exemplo, rapidamente examinava uma pessoa pelo que fazia, pelo seu estatuto profissional, pela sua perspetiva de carreira – a começar por mim. Muitos dos nossos preconceitos são adquiridos na primeira e segunda infância. Admito que, em parte, este preconceito provenha da exposição constante ao sucesso dos meus pais (mas os Pais não são tantas vezes os heróis?). Como disse, com a devida distância, percebo que foi um padrão interiorizado e reforçado pelas normas da sociedade, pelas minhas próprias experiências ao longo do tempo, com muitos agentes em diferentes contextos: académico, laboral, pessoal.

 

Com treino, meditação e introspecção, já consigo ser simultaneamente participante ativa de uma situação e observá-la com alguma distância, reflectir sobre o que está a acontecer enquanto acontece, observar as minhas reacções e parar, voltar atrás se for preciso e pedir desculpa sem cavar um poço de culpa mais fundo que a fossa das marianas. Também já sou capaz de estar sozinha, não sozinha, mas comigo mesma, sem medo das minhas falhas ou faltas. Hoje já não me importa tanto o que os outros possam pensar do meu estranho percurso de vida porque também já não julgo os outros pelo que fazem (ou pelo menos tento).

 

Quando era adolescente as minhas amigas diziam-me: “és tão empática” ou “és boa ouvinte” mas parecia-me absurdo porque só estava a ouvir. Anos mais tarde, quando conversava com uma amiga que estava com uma laringite, dei por mim a baixar também o meu tom de voz e, de repente, “fez-se luz”: percebi o que era empatia. Talvez a razão para não ter percebido até então tenha sido porque praticava-a pouco em mim mesma. Várias vezes fui muito crítica comigo mesma, disse coisas que nunca diria a uma amiga, mesmo em circunstâncias adversas.

 

E então, há um ano, veio a quarentena e tive de me confrontar comigo mesma. No processo percebi que os meus valores mudaram, as minhas relações mudaram, o que valorizo mudou. Hoje já não vivo inteiramente pelas normas da sociedade, mas também pelo que eu quero e sonho e penso muito bem antes de aceitar ou recusar alguma coisa.

 

Claro que os dias mudam e com eles há novos desafios, mas, no geral, diria que neste ano cresci muito. E gostava de dizer à minha adolescente que afinal vale a pena.

 

Nota: Este texto foi escrito seguindo as normas pré-acordo ortográfico.

04
Abr21

Domingo Pascal

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Esta semana ouvi uma entrevista de Sofia Coppola e Rashida Jones sobre como surgiu a ideia para o filme On the rocks. Ambas descendem de Pais famosos, mas não é essa a premissa do filme. O apelo, diziam a realizadora e atriz, é sentirmo-nos pequenas outra vez, sermos guiadas ao invés de guiar. Talvez por isso tenha gostado tanto do filme.

 

Lembro-me de ser pequena e o meu Pai adorar ducheses da nossa pastelaria local e, por isso, eu também comia, apesar de não gostar de chantili. Quando íamos no carro, ouvíamos sempre a TSF ou a Antena 1, algum programa de entrevistas ou os mesmos CDs: Tony Desare, Michael Bubblé, Campo Grande.

 

Acima de tudo, o que mais aprecio quando ando de carro com o meu Pai hoje em dia é espreitar no seu mundo, ouvir os seus receios por entre dentes, ouvir as suas “raivas” secretas, os seus arrependimentos infundados (na minha opinião), as suas quezílias interiores.

 

O meu Pai parece sempre saber para onde vai e o caminho para lá chegar. Conduz mais rápido que o Speedy Gonzalez mas sempre com segurança. O meu Pai é o clássico gentleman, mas sempre a favor do progresso e igualdade.

 

Sempre me apoiou em tudo o que decidi, sempre me motivou para além dos meus limites, tendo pouca tolerância para menos do que o seu padrão de qualidade. Tudo o que sempre quis, como qualquer filha, foi que o meu Pai se orgulhasse de mim.

 

Por isso, neste Domingo Pascal, penso que o meu Pai estaria orgulhoso de mim por ter a coragem de seguir o meu próprio caminho e escrever sobre as coisas que gostamos de fazer, a maneira como as nossas mentes circulam por vias semelhantes e também as nossas diferenças.

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