Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

27
Dez21

O melhor de 2021 - Livros

O melhor de 2021 livros.png

Este ano, para O Espaço das Pequenas Coisas, não foi o ano dos Livros. Talvez por ainda não termos retomado algum grau de “normalidade”, neste ano tive dificuldade em concentrar-me nas páginas de alguns dos melhores livros que li na minha vida. Assim, as palavras vão ficando suspensas entre a minha mesa-de-cabeceira e os meus sonhos…Deixo algumas sugestões do que li e do que gostaria de ter lido.

 

1. CALYPSO de David Sedaris

Num ano cheio de tensão política nos Estados Unidos e no mundo, agravamento das alterações climáticas e crise sanitária, esta coletânea de ensaios semi-autobiográficos ajudou a digerir os momentos de frustração e trazer algum humor para o meu dia-a-dia. Neste livro constam ensaios que detalham a vida familiar de Sedaris, desde a sua vida na Inglaterra rural com o seu “namorado” como gosta de enfatizar, até aos Verões em Miami Beach com os irmãos e Pai, sempre com um sentido de humor aguçado e auto-depreciativo.

 

2. ELIETE: A VIDA NORMAL de Dulce Maria Cardoso

A premiadíssima escritora portuguesa traz-nos a história de Eliete, uma mulher perfeitamente banal, com uma vida familiar banal, mas um mundo interior tão rico. No curso da vida, Eliete reflete sobre o marido, os filhos, o bairro, a sua infância e adolescência numa representação acutilante do que significa ser mulher.

 

3. O PRINCÍPIO DE KARENINA de Afonso Cruz

Como o caro leitor poderá saber, Afonso Cruz está entre os meus escritores preferidos. Esta história transporta-nos, permite viajar através do tempo e do globo, de gerações, da intergeracionalidade da nossa história pessoal. É difícil apresentar uma sinopse desta bela história sem revelar pormenores lindíssimos que Afonso Cruz nos traz sempre.

 

4. JESUS CRISTO BEBIA CERVEJA de Afonso Cruz

Esta história é particularmente bonita e pertinente neste ano em que não pudemos sair do nosso país com tanta facilidade. Avó e neta vivem numa aldeia do Alentejo, num ambiente seguro e contido. Quando a Avó fica doente, rapidamente a aldeia se disponibiliza a realizar o seu último desejo: ir a Jerusalém. Prova de que os Avós vivem sempre dentro de nós, na nossa memória.

 

5. O JOGADOR de Fiódor Dostoiévski

Por último, mas nunca o último, voltamos aos clássicos com Dostoiévksi. Neste romance intenso e autobiográfico, predomina a observação da alta-sociedade europeia e russa, a diferentes saisons no campo, na praia e nas grandes cidades europeias, as adições e o estilo de vida degradante da época, as relações familiares e românticas, uma sociedade longe da Era Pós-Digital mas relações perfeitamente atuais.

12
Dez21

De passagem

image0.jpeg

Há umas semanas escrevi uma crónica sobre a necessidade de mudar de perspetiva, por vezes literalmente numa viagem, afastando-me de outros e aproximando-me de mim mesma. Uma querida leitora comentou essa crónica indagando sobre a minha mudança de perspetiva. Na altura pensei n’O Espaço das Pequenas Coisas e no que representa para mim, é um espaço onde nos podemos perder em reflexões sobre nós próprios e o mundo mas não é um “querido diário” ou um espaço que termina em mim.

(Nada contra os diários que ainda hoje fazem parte da minha vida!)

 

Tenho andado muito com o novo disco de Adele 30, não só pelas letras e melodias, mas pela coerência com que expõe o que, para mim, significa ter 30 anos (mas que de todo se confina à idade). A primeira canção Strangers by Nature, Adele escreve, segundo a própria, uma carta a si própria, expondo a sua ambivalência em aceitar os erros que cometeu, a sua solidão. Ao mesmo tempo, há um tom de esperança no verso “I've never seen the sky this color before // It's like I'm noticing everythin' a little bit more” e no fim da canção quando a cantora expressa a esperança na gratidão. Embora já tenha escrito mais de 100 crónicas, a vulnerabilidade com que Adele escreve é muito comovente e ressoou em mim.

 

Em jeito de resposta à nossa querida leitora, o que mudou é que só falo com quem me apetece, só faço programas que me apeteçam e, acima de tudo, passo muito tempo a refletir sobre como posso continuar a crescer. Dou alguns passos nesse sentido, passos onde ainda consiga estar inteira e presente, já não me deixo desintegrar com comentários ou coisas que me aconteçam. No fundo, estou mais centrada, não só graças à meditação mas numa consciência (quase) permanente da nossa finitude e da preciosidade do nosso tempo.

 

OUVIR COM CALMA

Naturalmente o novo disco de Adele 30 mas na ordem cronológica, nada de shuffle. Na mesma onda, no podcast Human de Jess Mills, decorrem algumas conversas vulneráveis sobre o que nos torna humanos, luto e perda, amor e coragem, esperança.

VER NO SOFÁ

Uma das minhas séries preferidas de sempre, com o melhor argumento que alguma vez vi no pequeno ecrã O Método Kominsky (Netflix), explora a amizade e o envelhecimento, a morte e o luto, a finitude da vida, a esperança e claro, as pequenas coisas, como um Jack Daniels com uma Doctor Pepper.

28
Nov21

Um psicoterapeuta (in)comum

um psicoterapeuta incomum.jpg

Há uns dias comecei a ver “The Shrink Next Door” (Apple+) e que delícia de dark humor. A série de 8 episódios e protagonizada por Will Ferrell e Paul Rudd (eleito o homem mais sexy do mundo pela revista People), acompanha a relação pouco ortodoxa de Marty (Ferrell) e Dr.Ike (Rudd). Uma relação que começa por ser de psicoterapeuta-paciente e que rapidamente evolui para uma relação de contornos pouco claros, com momentos vulneráveis, outros cómicos e outros pouco éticos.

 

Foi num desses momentos vulneráveis, que Marty vê-se confrontado por Dr.Ike com a sua própria mortalidade e com o seu papel patriarcal na família. Embora a observação seja evidente perante a morte de um Pai, não pude deixar de pensar os diferentes papéis que vamos ocupando na família.

 

Quando nascemos, entramos logo numa estrutura pré-estabelecida que estabelece um modelo sobre a forma como o mundo funciona. Depois os anos passam e vamos tendo as nossas próprias experiências, primeiro com a socialização de pares no jardim de infância, depois com a escolaridade, a adolescência e os desafios da individuação/separação dos pais e consequente criação de um paradigma do mundo único e individual. Mais tarde, se tivermos sorte, o nosso paradigma e transformado pelo amor e assim nasce um novo paradigma: um filho ou uma filha. Se tivermos sorte, muito mais tarde, a nossa visão do mundo é mais uma vez alterada quando morrem os nossos Pais e cabe-nos então ocupar o papel de matriarca ou patriarca.

 

Os espaços interessantes são entre etapas, quando estamos no processo de uma etapa para outra. Embora possa parecer-nos quase impossível essa transição, pela dor que inerentemente traz, a verdade é que já chegámos até aqui. E por isso continuamos a caminhar.

 

VER NO SOFÁ

Além da supracitada The Shrink Next Door (Apple +), uma das séries mais bonitas a que assisti há muitos anos chamada Babies (BBC), parece estar a ser “replicada” na nova série documental Babies (Netflix), permitindo observar o desenvolvimento de bebés de todo o mundo. Um mundo fascinante para quem é curioso sobre como funcionamos.

 

O cinema está ao rubro e eu mal posso esperar para ver o muitíssimo antecipado Mães Paralelas (Pedro Almodóvar) que conta a história de duas mais que dão à luz no mesmo dia e o que significa ser Mãe e os seus múltiplos papéis.

21
Nov21

Como um rio

651B8BE6-CC73-49A1-AF1F-B7062C660DD5.jpeg

"O homem sábio é como um rio que segue o seu caminho rumo ao mar. Quando as margens se estreitam ele aprofunda, quando elas se alargam ele espraia. Em qualquer situação, ele segue o seu caminho inexoravelmente rumo ao mar."

Provérbio Indiano

 

OUVIR COM CALMA

Embora já tenha uma semana, o evento New York Times Deal Book é imperdível. Pode ser (re) visto no website do NYT.

Outra descoberta desta semana foi o programa A ronda da noite (Antena 2), particularmente o episódio sobre os 200 anos do nascimento de Dostoiévski. Cada vez mais aprecio a genialidade e singularidade das observações absolutamente atuais do escritor russo.

 

 

14
Nov21

Quem muda, Deus ajuda

quem muda Deus ajuda.jpeg

A minha Mãe, que é uma enorme fonte de sabedoria, sempre nos disse “quem muda, Deus ajuda”. Não sei como adquiriu todo este conhecimento e intuição, certamente dispensou muitas horas a refletir sobre o que a rodeava.

 

Nas últimas semanas, com todos os eventos políticos, sociais, sanitários e económicos que temos vivido, senti-me a entrar numa espiral de catastrofização e medo do futuro. Há quem chame a isso ansiedade, há quem o veja como uma forma de sobrevivência. Em todo o caso senti que precisava de me afastar.

 

Por sorte, uma das minhas grandes amigas vive noutra cidade e pude visitá-la durante uns dias. Refleti muito durante esses dias, parece-me que ao sair da minha rotina deu-me uma perspetiva mais clara sobre mim e sobre o mundo. E, naturalmente, voltei às pequenas coisas e a sua importância. Gestos simples, como quando algum amigo me envia uma mensagem a perguntar como estou são tão grandes para mim e podem ser insignificantes para outra pessoa. Da mesma forma, coisas que negligencio podem ser muito importantes para outros. Cada um tem a sua perspetiva, a sua forma própria de viver, o seu modus operandi. No fundo, a maioria de nós dá o seu melhor.

 

Também me apercebi de que “o jardim do vizinho parece sempre melhor”. E frequentemente é atingido pelas mesmas pragas, o mesmo Sol, o mesmo granizo, a mesma chuva. Tudo depende da importância que damos a nós mesmos, às nossas pequenas coisas que dão significado ao nosso dia.

 

 

LER DEVAGAR

Por falar em quotidiano, que delícia tem sido ler Amor e desejo na vida conjugal  (Editorial Presença) de Esther Perel. A autora, psicoterapeuta e educadora, põe a nu as relações conjugais, a intimidade, a sexualidade.

 

 

OUVIR COM CALMA

Durante alguns meses o ex-Governo Sombra era repetitivo e cansativo, mas com a mudança para SIC e a batalha legal, o programa com Carlos Vaz Marques, Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares parece ter ganho novo fôlego e tem-me acompanhado em formato podcast.

E, por falar em reflexões, não podia deixar de mencionar o podcast Philosophize This! com uma vastidão de temas, desde a Filosofia clássica a autores mais controversos. Um programa provocador e interessante.

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sigam-me

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub