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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

06
Mar22

Todas as almas

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Fotografia: Reuters

 

Pela primeira vez em muitos anos faltam-me as palavras. É claro que há muitas palavras feias e cruéis que se formam no meu cérebro mas nunca chegam a ser ditas. O som das palavras não se compara à violência dos bombardeamentos que deixam um rasto de destruição por toda a Ucrânia, um país independente com um povo soberano.

Este é O Espaço das Pequenas Coisas e, talvez por isso, esta guerra extravase as medidas. Parece que só é possível pensar nas coisas grandes da vida: morte, identidade, guerra, esperança, amor, ódio, união. Talvez a História relembre o povo ucraniano como o Povo Herói, o Presidente como Zelensky, o Corajoso ou talvez tudo desapareça em poucos segundos com uma bomba nuclear.

O futuro é incerto e assustador, é revoltante e deprimente. Há pessoas que reagem com uma tristeza maior que um fundo de um poço. Outras que se mobilizam para campanhas humanitárias para ajudar os que fogem e os que ficam. Muitas sentem raiva e medo e ficam paralisadas. Seja como for, tenho esperança porque se os ucranianos a encontraram força para lutar pela sua identidade também nós temos o dever moral de os ajudar.

 

OUVIR COM CALMA

Terminou a segunda temporada da badalada série Euphoria (HBO), com uma soberba banda sonora produzida pelo músico Labirinth. Fiquei particularmente com a canção I’m tired de Zenday e Labirinth, com um tom dark gospel, uma letra muito clara, é um hino à esperança na vida.

 

VER NO GRANDE ECRÃ

Já está em cartaz o novo filme do The Batman (DC/Warner Bros), protagonizado por Robert Pattinson e ainda com Zoë Kravitz, Paul Dano, Jeffrey Wright, John Turturro, Peter Sarsgaard, Andy Serkis e Colin Farrell. Realizado por Matt Reeves, este filme revisita a trilogia Batman (DC) lançada pela primeira vez por Christopher Nolan (2005).

24
Fev22

Para inglês ver

O ESPAÇO DAS PEQUENAS COISAS CONDENA O ATAQUE RUSSO À NAÇÃO SOBERANA DA UCRÂNIA E ESTÁ EM PLENA SOLIDARIEDADE COM TODOS OS CIDADÃOS UCRANIANOS.

 

Para inglês ver.jpgWOLFGANG SCHWAN/ANADOLU AGENCY VIA GETTY IMAGES

A invasão da Ucrânia nesta madrugada pela Rússia marca o começo oficial da Guerra, apesar de quase 8 anos de conflitos na fronteira leste.

 

A nação Ucraniana é, desde o século XVII, uma das mais importantes da Europa. A cidade de Kyiv sempre foi um importante centro de comércio e mais tarde indústria, arte e cultura.

 

A noite cai sobre a Ucrânia e com ela a perspetiva de novos bombardeamentos, novos ataques. O povo ucraniano resiste, luta pela sua identidade, pela sua Terra.

 

Amanhã será outro dia e, como me contava a minha amiga Anamor, os ucranianos lutarão.

13
Fev22

São Valentim

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Todos os anos a 14 de Fevereiro celebramos o Dia de São Valentim ou o Dia dos Namorados.

Entre o fim do século II e o início do século III, o Imperador romano Cláudio II ordenou que todos os jovens fossem recrutados para o poderosíssimo exército romano na defesa e expansão do Império. A fim de os motivar, o Imperador proibiu os seus Bispos de celebrar casamentos para que o único laço destes jovens se estabelecesse no exército. 

Reza a lenda que Valentim, um Bispo de Roma, perante o Amor de tantos jovens casais recusou obedecer às ordens do Imperador e celebrou vários casamentos em segredo. A maior parte dos casamentos eram celebrados à noite e apenas com a presença dos noivos e, por vezes, as famílias nunca chegavam a saber dos laços traçados ao luar.

 

Certo dia Valentim foi apanhado e o seu acto de desobediência punido na prisão. Ainda assim, o antigo Bispo continuava a acreditar no Amor, fruto das dezenas de cartas e flores que continuavam a chegar à sua cela. Assim, Valentim tornou-se conhecido como o Santo Padroeiro do Amor, dos namorados e dos casamentos.

Além desta história comovente, segundo alguns registos do século XV, São Valentim também cuidou e curou de várias crianças e adultos com epilepsia. Esta doença neurológica é das doenças mais antigas descritas na História da Humanidade, desde a Grécia Antiga, provavelmente até anteriormente. Durante o período da Idade Média ou Idade das Trevas, o conhecimento era escasso e oculto, pelo que a epilepsia passou a ser vista como uma maldição ou possessão do Diabo, ideia que perdura em muitas culturas até aos nossos dias. 

Neste ano, a 14 de Fevereiro, celebra-se o Dia Internacional da Epilepsia ou #EpilepsyDay honrando a memória do Santo Padroeiro das pessoas com epilepsia. Para saber mais pode visitar a Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE)

Sempre me pareceu uma bela imagem, mesmo na doença há Amor, talvez sobretudo na doença precisamos de partilhar o Amor.

06
Fev22

Escrever ou escrever

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Se é verdade que poucos amigos sabem que escrevo, alguns perguntam-me: “e sobre o que é que escreves?”. Tenho sempre dificuldade em responder, remeto-os para a importância das pequenas coisas. No sapo, algumas das minhas crónicas foram destacadas na secção de opinião, outras de quotidiano. Talvez não haja exatamente uma caixa onde o Espaço das Pequenas Coisas caiba, onde se situe perfeitamente.


A segunda questão que me colocam quando já me conhecem melhor é “e quando te falta inspiração?”. A esta pergunta respondo sempre da mesma forma: “escrevo!”.

Parece haver um mito em relação à escrita ou a qualquer forma de arte, que provém de alguma inspiração divina.

Claro que às vezes escrevo e as palavras parecem vir ao meu encontro, mas na maior parte do tempo passo horas a escrever crónicas que nunca chegam a este Espaço. Algumas não se adequam pelo estilo, outras pelo conteúdo, outras até porque não tenho interesse.

O que quero dizer é que escrever é como qualquer coisa na vida: é preciso praticar.


Além disso, posso escrever uma crónica e pensar que está bem e o leitor não gosta. Às vezes também acontece escrever crónicas que não foram tão trabalhadas e o leitor expressa o seu agrado. Na maior parte das vezes é sorte ou o acaso, um feliz encontro entre o leitor e quem escreve.


Assim se pode escrever uma crónica sobre a dificuldade de escrever!

29
Jan22

Abstenção

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Há uns dias um leitor comentou uma das minhas crónicas sobre as legislativas apelando à minha reflexão sobre o sentido do voto.


De facto, para mim o voto é um direito constitucional conquistado com o sangue e a vida de muitos cidadãos. Como já escrevi em várias crónicas, venho de uma família investida na política, pelo que a minha abstenção não seria bem aceite.


Compreendo, no entanto, que o sistema democrático apresenta várias falhas, desde o processo de eleição dos candidatos de distrito, ao regime semi-presidencialista, ao fraco combate à corrupção na política. A abstenção não é só um problema português, vejam-se as eleições europeias.

A ausência de voto pode indicar desinteresse ou protesto. O sistema eleitoral tem muitas lacunas, é antiquado, pouco intuitivo, moroso, pouco acessível às populações. Além disso, a campanha eleitoral é excessiva, agressiva, disparatada por vezes (apesar de fornecer bom material para os comediantes).

Por outro lado, a abstenção também pode ser um protesto contra o status quo, contra as estruturas que se recusam a mudar ou mesmo porque a pessoa não se revê num programa político ou num partido. Frequentemente observo este fenómeno entre amigos.

Ainda assim, a beleza da liberdade reside em votar num partido, votar em branco ou não votar, seja por desinteresse ou protesto. Viva a Democracia.

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