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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

26
Mai21

Kit de Sobrevivência - James Dowler

KS XXXIII James Dowler.png

 

Na semana passada continuava a sentir-me com pouca energia e, tendo feito análises e, portanto, esgotado todas as hipóteses, decidi começar a meditar todas as manhãs. Apesar de meditar há muito tempo, a verdade é que não sou tão diligente como gostaria. Depois de todas as últimas notícias, precisava mesmo de uma pausa.

 

Como o caro leitor estará, por esta altura, cansado de saber, sou subscritora da aplicação Deliciously Ella, onde encontro a maior parte das receitas que cozinhamos cá em casa, faço aulas de yoga ou pilates e, por fim, medito.

 

Nem de propósito, os fundadores lançaram um novo vídeo de breathwork com James do Breathe with James. Não sabia muito sobre esta prática de meditação, mas parecia-me importante. Frequentemente sentia-me sem fôlego, mesmo parada. Se me enervava com algum assunto, sentia o meu coração a acelerar. Sem grande fé, devo confessar, decidi experimentar.

 

A aula deve ser feita logo de manhã para acordar o corpo e controlar a respiração. Numa série de exercícios, respiramos de diferentes formas e intensidades, terminando com uma respiração calma. Além da voz do James ser extremamente calmante, os exercícios fazem todo o sentido.

 

A verdade é que, ao fim de 7 dias, posso dizer que me sinto muito mais calma, tenho maior controlo sobre a minha respiração e consigo gerir melhor a minha energia. Se me sinto muito cansada, paro 5 minutos e simplesmente foco-me na minha respiração. Da mesma forma, se tenho alguma tarefa que preciso mesmo de terminar, respiro de uma forma energética e, após alguns segundos, parece que sinto um novo impulso de energia.

 

Não sei que bruxaria é esta, mas lá que resulta, resulta. Vou continuar, quem adere ao desafio comigo?

19
Mai21

Kit de Sobrevivência XXXII - Prince Harry, The Duke of Sussex

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Na semana passada o Príncipe Harry deu uma entrevista ao podcast “Armchair Expert with Dax Shepard”. O Duque de Sussex é apresentado como um ativista da saúde mental, investidor e produtor. O objetivo da entrevista seria promover a série, produzida pel’O Duque de Sussex e Oprah, "The me you can't see" que se foca no tema da saúde mental.

 

Este novo investimento de Harry fez-me refletir sobre como as nossas causas mudam durante as diferentes fases da vida. Já aqui escrevi sobre a minha primeira aventura no mundo do ativismo, os "Os Verdes da Terra" aos 8 anos com a minha melhor amiga.

 

Ao longo da minha vida, fui vendo diferentes necessidades e a oportunidade de intervir, ainda que de forma simples. Quando comecei a estudar descobri que há muitos anos tentavam criar uma associação de estudantes do meu curso, por isso senti que podia ajudar. Na mesma altura, na cidade onde estudava, envolvi-me numa associação de cidadania ativa, depois de um inquérito na rua sobre o que faltava na cidade. Mais tarde, estive envolvida noutras associações, apesar de estar sempre a correr de um lado para o outro.

 

A questão é esta, sentir que ajudamos alguém é viciante. É um acto absolutamente egoísta, a adrenalina de nos sentirmos úteis. É por isso que ser ajudado nem sempre é fácil e por isso sinto uma gratidão absoluta por todas as pessoas que me ajudam no meu dia-a-dia e todas as que me ajudaram até chegar aqui. A si, caro leitor, que me ajuda e incentiva na minha paixão de escrever.

12
Mai21

Kit de Sobrevivência XXXI - Gelong Thubten

KS XXXI Gelong Thubten.png

Se só pudesse escolher uma aprendizagem deste último ano é que a felicidade é, em certa medida, uma escolha.

Claro que existem eventos de vida absolutamente traumáticos e desesperantes, por isso vamos falar do dia-a-dia.

De manhã, abro as persianas e pode estar sol ou a chover, posso olhar para uma das janelas da minha casa que têm uma vista para um pequeno parque ou posso olhar por outra janela que tem prédios infindáveis. Posso focar-me nos passarinhos a cantar ou no barulho incessante dos carros na sua pressa matinal.

Uma das maiores mudanças que implementei neste ano foi tomar o pequeno-almoço com calma. Sem telefones, sem televisão, só eu e o meu príncipe, por vezes em silêncio, outras vezes a tagarelar sobre um assunto qualquer do dia. Aqueles quinze minutos fazem toda a diferença, porque no nosso amor encontro confiança e energia para o dia.  

Como Gelong Thubten, o monge budista, explica neste episódio do podcast que o leitor já conhecerá, o segredo da felicidade é a satisfação com o que temos. É aproveitar os momentos, ter compaixão, ser feliz com o que se tem. Às vezes a vida dá-nos umas voltas, mas, para mim, o segredo é encontrar as pequenas coisas que fazem o dia valer a pena.

 

No documentário "Democracia em vertigem", perguntam a Dilma Rouseff como aguentava a tortura a que foi sujeita durante dias. A sua resposta surpreendeu-me, Dilma disse “eu pensava: «é só mais um minuto, porque se você pensar mais não vai aguentar»”. Então, quando tenho os meus momentos difíceis faço duas coisas: 1) penso sempre “é só mais um minuto” e 2) foco-me nos meus momentos mais felizes. Às vezes está sol, outras vezes chove. Mas dentro de mim, há um Sol que brilha todos os dias. E o leitor, o que faz para se sentir feliz?

05
Mai21

Kit de Sobreviência XXX - Ursula von der Leyen

KS XXX Ursula von der Leyen.png

Há umas semanas, naquele que ficou conhecido como o sofagate, Ursula von der Leyen, enquanto Presidente da Comissão Europeia, participou numa reunião em Istanbul com o Presidente da Turquia e o Presidente do Conselho Europeu. Para espanto da própria, ao chegar ao local da reunião, verificou que literalmente não tinha lugar. Charles Michel e Erdogan tomaram os seus lugares e a Presidente ficou reduzida a um sofá.

 

Na semana passada, ao dirigir-se ao Parlamento Europeu, Ursula von der Leyen, explica que se sentiu “magoada e sozinha, como mulher e como europeia”. Num gesto certamente simbólico, Von der Leyen surge de casaco cor-de-rosa e blusa branca, possivelmente numa homenagem às Sufragettes, que já havia sido celebrada por algumas mulheres democratas do Congresso norte-americano.

 

O discurso é particularmente importante porque Ursula von der Leyen não foge à sua própria vulnerabilidade, pelo contrário, expõe-na como meio para denunciar o sexismo que ainda existe também na política.

 

Poderia ser mais um dia num qualquer local de trabalho, mas trata-se da (primeira) Presidente da Comissão Europeia. Não é só um sinal de desrespeito, é um sinal claro de desigualdade de género. A Presidente reconhece o seu privilégio num cargo de poder e a importância das imagens para a revolta popular por todo o mundo. No entanto, alerta também para os casos que não são divulgados, a esmagadora maioria. Mulheres e crianças que sofrem abusos de poder e nunca têm o poder da denúncia e são remetidas para o silêncio.

 

Este é um problema também dos homens que, como Charles Michele, são cúmplices na desigualdade de género. Não nos iludemos, caro leitor, a igualdade de género depende da cooperação de todos, como disse a Presidente. Precisamos de mais mulheres em cargos de poder político, económico, legislativo, judicial, entre outros, que possam tomar decisões de mulheres para mulheres. É urgente, o tempo de agir é agora.  

28
Abr21

Kit de Sobrevivência XXIX - Marcelo Rebelo de Sousa

KS XXIX Marcelo Rebelo de Sousa.png

No passado Domingo, 25 de Abril, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa surpreendeu os portugueses com um discurso de uma coragem notável, revisitando a história de Portugal, não deixando pedra sobre pedra, mas traçando pontes de reconciliação.

 

A partir da sua própria história de vida, Marcelo Rebelo de Sousa faz uma reflexão da História Portuguesa, desde as conturbadas lutas liberais (precedendo a libertação do Brasil do Império Colonial Português), até ao tempo da Ditadura, da qual o Pai de Marcelo Rebelo de Sousa fez parte como Governador de Moçambique e pela proximidade a Marcello Caetano (o nome do atual Presidente é uma homenagem ao então regente da ditadura).

 

No seu discurso, o antigo Professor universitário falou também do Período Colonial, com a sua complexidade e múltiplas contradições. A revolução do 25 de Abril, como lembra o atual Presidente, foi planeada e levada a cabo por militares das forças armadas que haviam estado na guerra do ultramar.

 

Talvez o aspeto mais comovente do discurso de Marcelo tenha sido a visão conciliadora da História, incluindo os que foram lutar, os que emigraram na esperança de uma vida mais justa, mas também dos que lutaram contra o Império Colonial Português, os que tendo vindo de Portugal se juntaram à resistência e dos que regressaram sem nada, os que ficaram em sociedades devastadas pelo colonialismo.

 

Ser Português é ser complexo, rico em História, em coragem para atravessar o desconhecido, mas também em crueldade da escravatura e do racismo. Segundo o atual Presidente devemos refletir sobre a História à luz dos valores atuais, sem condenações, mas retirando lições para não repetir os mesmos erros. Afinal, se o filho de um governante da Ditadura pode ser democraticamente eleito Presidente da República Portuguesa, podemos enquanto povo também evoluir. Refletir sobre como podemos lutar por Portugal mais justo, inclusivo e igualitário.

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