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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

30
Dez21

O melhor de 2021 - Filmes

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Os filmes sempre ocuparam na minha vida um papel central. Ao contrário das séries ou dos livros, sem me aperceber fico completamente imersa numa história, numa personagem, numa paisagem. Gosto muito de Arte (é como escrever gosto muito de respirar), mas o Cinema é um amor transcendente que leva a um histórico de pesquisa povoado por produtores, empresas de produção, diretores artísticos, entrevistas de atores, excertos de diálogos. Este ano foi, mais uma vez, deprimente pelas restrições impostas quer nos festivais, quer nas salas de cinema. Ainda assim, com a nova televisão e um sistema de som decente conseguimos assistir a alguns filmes sem o mesmo efeito claro. Armados de máscaras e desinfetante lá nos aventurámos umas vezes naquela sala de cinema que o leitor conhece, onde se veem filmes e não se comem pipocas.

 

1. PARALLEL MOTHERS de Pedro Almodóvar

Cada filme de Pedro Almodóvar é uma parte da sua história, do seu mundo, da sua capacidade de reflexão. Uma reflexão sobre o papel de Mãe interpretado pela irrepreensível Penélope Cruz, já longa musa de Almodóvar, é a história de duas mães que dão à luz do mesmo dia, no mesmo hospital e cujas vidas estarão para sempre interligadas.

 

2. THE HAND OF GOD de Paolo Sorrentino

Um filme já premiado e candidato a melhor filme estrangeiro nos Golden Globes, Paolo Sorrentino traz a nostalgia de um adolescente nos anos 80 atravessada por uma tragédia. Um drama familiar e profundamente emotivo, ao estilo Sorrentino.

 

3. PASSING de Rebecca Hall

Desde Vicky Cristina Barcelona, a atriz e agora realizadora Rebecca Hall ficou no meu radar. O filme aborda o tema do racismo com uma nuance e discrição impressionantes, com interpretações fabulosas de Tessa Thompson (Westworld) e Ruth Nega, duas amigas de infância cujas vidas se interligam num enredo que nos prende ao ecrã.

 

4. POWER OF THE DOG de Jane Campion

Poderia apenas escrever Benedict Cumberbatch e parece-me que o leitor compreenderia, mas quando juntamos a dupla Kirsten Dunst e Jesse Plemons (marido e mulher além desta saga) o efeito é explosivo. Um western muito tenso, com momentos de terror nas nossas mentes, paisagens incríveis e um laço de irmãos ameaçado pelo amor romântico. A não perder.

 

5. DON’T LOOK UP de Adam Mckay

Adam Mckay é uma presença constante na cena de Hollywood desde os anos 2000. Começou com comédias do absurdo como Anchorman, transitando para a série Succession e American Hustle, retrata bem uma parte priveligiada da sociedade americana. Neste filme, uma clara crítica ao Partido Republicano e a Trump & Co., aos negacionistas das alterações climáticas, ao Conservadorismo e superficialidade da sociedade norte-americana, Leonardo DiCaprio torna-se o menos desejável possível para deixar Meryl Streep brilhar no papel de Trump femina. Leve e hilariante.

29
Dez21

O melhor de 2021 - Séries

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Neste ano, n’O Espaço das Pequenas Coisas, as séries tornaram-se um programa semanal e motivo de extensas crónicas. Umas mais fantásticas, outras mais introspetivas, todas de uma qualidade artística visual e de performances de atores notáveis. O critério que usei foi serem séries que me transportaram no espaço/tempo e séries que me fizeram refletir sobre o mundo.

 

1. WANDAVISION de Marvel

O ano começou logo com a Marvel a entrar televisão adentro com um estrondoso feitiço da Scarlet Witch. Já tinha assistido a alguns filmes do MCU (Marvel Cinematic Universe) mas nunca tinha percebido o contexto, as personagens, enfim nunca me interessei. Mas Elizabeth Olsen é uma das minhas atrizes hollywoodescas preferidas (pode assistir a Sorry for your loss aqui). Quando vi que Paul Bettany participava na série percebi imediatamente que esta série seria diferente. Claro que tem efeitos especiais e lutas, mas é também uma homenagem à televisão norte-americana, ao imaginário coletivo desde Lucy a Modern Family, com cenas tão absurdas quanto espetaculares.

 

2. O MÉTODO DE KOMINSKY de Netflix

Uma série magnífica que recomendada pelo meu irmão que a descreveu da seguinte forma: “É juntar o Michael Douglas e o Alan Arkin e deixar a câmera a trabalhar”. Obviamente convenceu-me de imediato por termos gostos tão semelhantes e comecei a ver com o meu Príncipe que também se enamorou do diálogo sublime. É, de facto, uma série em que o leitor (e espectador) pode sentir que não acontece nada a não ser uma longa conversa entre dois amigos que contemplam a vida e o seu fim. É amizade profunda e sincera, que me fez pensar no meu círculo de amigos e no fim iminente desde que nascemos.

 

3. SCENES FROM A MARRIAGE de HBO

Esta série, para mim, não só é a série do ano, como duas grandes performances de dois grandes atores, colegas de faculdade e amigos. O diálogo é sublime, a interpretação do outro mundo e a realização e cenário lindíssimos. Ficaram comigo até hoje e ficarão no meu imaginário das séries a imitar a vida.

 

4. OZARK de Netflix

Poderia falar de Succession, claramente a série do momento, mas esta série que cuja última temporada estreará nas próximas semanas reúne humor, traição, jogos políticos, lavagem de dinheiro e, claro, Laura Linney. Uma série muito subvalorizada (apesar de ter levado para casa o Golden Globe), Ozark é uma série obscura e, por vezes, assustadora, que mostra bem a resiliência do espírito humano.

 

5. AND JUST LIKE THAT de HBO

Uma menção honrosa mas não podia deixar de cá estar. Se WandaVision entrou em grande, Sex and the City fecham o ano em grande. A nostalgia das amigas de Nova Iorque trazem agora novas amigas, mais controvérsia e muito que falar.

28
Dez21

O melhor de 2021 - Música e Podcast

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Neste ano ouvi muita música e podcast. Redescobri o meu amor por ouvir discos inteiros, mesmo enquanto trabalho ou escrevo, o prazer de ouvir concertos de música clássica, a diversão de dançar sozinha ao som da música pop e a importância de manter a saúde mental enquanto fazia as tarefas domésticas ao som de podcast divertidos.

 

1. OFFICE LADIES com Jenna Fisher e Angela Kinsey (Earwolf)

Pelo segundo ano consecutivo foi o podcast que ouvi com maior regularidade (quase semanal!). Para quem adorou a série britânica e americana The Office nos anos 2000 ou para quem está a redescobrir alguns episódios como eu, este podcast é muito divertido. Comecei a ouvi-lo mesmo antes do covid e, para dizer a verdade, foi o único alívio temporário que tinha sozinha enquanto fazia coisas tão aborrecidas como a loiça ou passar a ferro. Neste ano descobri comentários sobre episódios dos quais já nem me lembrava, sempre bem apoiados pelos factos e curiosidades e pela dinâmica leve e divertida entre as apresentadoras. Quem diria que Pam e Angela seriam melhores amigas?

 

2. 30 de Adele

Este disco, lançado já quase no fim do ano, teve tanta ressonância em mim que escrevi uma crónica sobre ele. Uma reflexão sobre a experiência de envelhecer, de aprender com os erros, de cometer mais erros, da importância da leveza e diversão, da família. O álbum detalha a sua experiência após a separação do ex-marido mas apresenta uma sonoridade nova em Adele: um som antigo e intemporal do Jazz norte-americano, uma espécie de nostalgia. É uma conversa consigo mesma que começa com “Strangers by Nature”.

 

3. HAPPIER THAN EVER de Billie Eilish

A cantautora cresceu e com a produção do irmão Finneas escreveu um álbum sobre crescer e o fim do primeiro Amor, também com uma certa Nostalgia, mas também com um som mais disco-pop. Sempre uma experiência imersiva, particularmente no concerto “Love letter to Los Angeles” com o Maestro Gustavo Dudamel e a LA Philarmonic

 

4. SOLAR POWER de Lorde

O muitíssimo antecipado disco da cantora, que surpreendeu até os seus fãs, deixa para trás a melancolia e relembra-nos que a vida ainda será divertida. Um disco inspirado pelas alterações climáticas, mas sobretudo, pareceu-me, inspirado pela sua geração e, por isso, tão bonito.

 

5. [IN] PERTITNENTE de FFMS

A Fundação Francisco Manuel dos Santos tomou a seu cargo ser o compasso moral do país, trazendo-nos estudos compreensivos, livros, conferências e este podcast que aborda Política, Ciência, Sociedade e Economia apresentado por algumas das figuras mais proeminentes da cultura portuguesa. Com temas que vão desde a pandemia, fake news, desigualdade de género e a política norte-americana. A não perder.

27
Dez21

O melhor de 2021 - Livros

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Este ano, para O Espaço das Pequenas Coisas, não foi o ano dos Livros. Talvez por ainda não termos retomado algum grau de “normalidade”, neste ano tive dificuldade em concentrar-me nas páginas de alguns dos melhores livros que li na minha vida. Assim, as palavras vão ficando suspensas entre a minha mesa-de-cabeceira e os meus sonhos…Deixo algumas sugestões do que li e do que gostaria de ter lido.

 

1. CALYPSO de David Sedaris

Num ano cheio de tensão política nos Estados Unidos e no mundo, agravamento das alterações climáticas e crise sanitária, esta coletânea de ensaios semi-autobiográficos ajudou a digerir os momentos de frustração e trazer algum humor para o meu dia-a-dia. Neste livro constam ensaios que detalham a vida familiar de Sedaris, desde a sua vida na Inglaterra rural com o seu “namorado” como gosta de enfatizar, até aos Verões em Miami Beach com os irmãos e Pai, sempre com um sentido de humor aguçado e auto-depreciativo.

 

2. ELIETE: A VIDA NORMAL de Dulce Maria Cardoso

A premiadíssima escritora portuguesa traz-nos a história de Eliete, uma mulher perfeitamente banal, com uma vida familiar banal, mas um mundo interior tão rico. No curso da vida, Eliete reflete sobre o marido, os filhos, o bairro, a sua infância e adolescência numa representação acutilante do que significa ser mulher.

 

3. O PRINCÍPIO DE KARENINA de Afonso Cruz

Como o caro leitor poderá saber, Afonso Cruz está entre os meus escritores preferidos. Esta história transporta-nos, permite viajar através do tempo e do globo, de gerações, da intergeracionalidade da nossa história pessoal. É difícil apresentar uma sinopse desta bela história sem revelar pormenores lindíssimos que Afonso Cruz nos traz sempre.

 

4. JESUS CRISTO BEBIA CERVEJA de Afonso Cruz

Esta história é particularmente bonita e pertinente neste ano em que não pudemos sair do nosso país com tanta facilidade. Avó e neta vivem numa aldeia do Alentejo, num ambiente seguro e contido. Quando a Avó fica doente, rapidamente a aldeia se disponibiliza a realizar o seu último desejo: ir a Jerusalém. Prova de que os Avós vivem sempre dentro de nós, na nossa memória.

 

5. O JOGADOR de Fiódor Dostoiévski

Por último, mas nunca o último, voltamos aos clássicos com Dostoiévksi. Neste romance intenso e autobiográfico, predomina a observação da alta-sociedade europeia e russa, a diferentes saisons no campo, na praia e nas grandes cidades europeias, as adições e o estilo de vida degradante da época, as relações familiares e românticas, uma sociedade longe da Era Pós-Digital mas relações perfeitamente atuais.

12
Dez21

De passagem

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Há umas semanas escrevi uma crónica sobre a necessidade de mudar de perspetiva, por vezes literalmente numa viagem, afastando-me de outros e aproximando-me de mim mesma. Uma querida leitora comentou essa crónica indagando sobre a minha mudança de perspetiva. Na altura pensei n’O Espaço das Pequenas Coisas e no que representa para mim, é um espaço onde nos podemos perder em reflexões sobre nós próprios e o mundo mas não é um “querido diário” ou um espaço que termina em mim.

(Nada contra os diários que ainda hoje fazem parte da minha vida!)

 

Tenho andado muito com o novo disco de Adele 30, não só pelas letras e melodias, mas pela coerência com que expõe o que, para mim, significa ter 30 anos (mas que de todo se confina à idade). A primeira canção Strangers by Nature, Adele escreve, segundo a própria, uma carta a si própria, expondo a sua ambivalência em aceitar os erros que cometeu, a sua solidão. Ao mesmo tempo, há um tom de esperança no verso “I've never seen the sky this color before // It's like I'm noticing everythin' a little bit more” e no fim da canção quando a cantora expressa a esperança na gratidão. Embora já tenha escrito mais de 100 crónicas, a vulnerabilidade com que Adele escreve é muito comovente e ressoou em mim.

 

Em jeito de resposta à nossa querida leitora, o que mudou é que só falo com quem me apetece, só faço programas que me apeteçam e, acima de tudo, passo muito tempo a refletir sobre como posso continuar a crescer. Dou alguns passos nesse sentido, passos onde ainda consiga estar inteira e presente, já não me deixo desintegrar com comentários ou coisas que me aconteçam. No fundo, estou mais centrada, não só graças à meditação mas numa consciência (quase) permanente da nossa finitude e da preciosidade do nosso tempo.

 

OUVIR COM CALMA

Naturalmente o novo disco de Adele 30 mas na ordem cronológica, nada de shuffle. Na mesma onda, no podcast Human de Jess Mills, decorrem algumas conversas vulneráveis sobre o que nos torna humanos, luto e perda, amor e coragem, esperança.

VER NO SOFÁ

Uma das minhas séries preferidas de sempre, com o melhor argumento que alguma vez vi no pequeno ecrã O Método Kominsky (Netflix), explora a amizade e o envelhecimento, a morte e o luto, a finitude da vida, a esperança e claro, as pequenas coisas, como um Jack Daniels com uma Doctor Pepper.

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