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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

16
Ago20

Como se ninguém me visse

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Depois da viagem com as mochilas todas (ver crónica anterior), era sempre necessário olhar para o mapa e tentar descobrir a localização da casa. Inevitavelmente perdíamo-nos umas quantas vezes mas para encontrar-se é preciso perder-se e lá víamos alguma cara inglesa ou alemã ou holandesa.

Arrumadas as coisas na sua casinha, vamos descansar.

No dia seguinte enfrentamos as divertidas mas temíveis ondas da Costa. Quando era pequena, pareciam-me tão grande que se fosse engolida talvez me transformasse mesmo numa Pequena Sereia.

Durante horas ficamos na água, agora já não só eu e o Pai, e tentamos observar as correntes, ver em que direcção as ondas vão, onde está o pico da sua força, posicionar-nos corretamente, esperar pelo melhor e...deixamo-nos ir...

Observar as correntes, ver a direção do vento, o pico da força, posicionar-me correctamente e deixar-me ir...como se ninguém me visse...

Repetimos tantas vezes quanto o corpo nos permite até a fome apertar. Então todos para a toalha, continuamos a comer sandochas, beber minis ou pedras, ver as ondas, a encosta escarpada, conversar sobre o agueiro de hoje, sobre as notícias do dia, a bola, a política (ainda bem que somos todos do mesmo espectro quer clubístico), as tendências da moda, nada de muito profundo.

Depois de uma bela sesta, quando éramos pequenos o Pai sentia-se renovado e íamos para o mar.

Agora, em vez das ondas com o Pai, eu e o meu Príncipe damos longos passeios na praia, procuramos conchinhas, mexilhão, percebes, o ocasional “sr. Polvo” como as nossas priminhas gostam de lhe chamar.

Vemos o pôr-do-sol todos juntos e damos um último mergulho, aquele que já gela os ossos, os músculos e todas as articulações.

Ali, naquela praia do Sul, cujo nome nunca direi, estou viva como se ninguém me visse...

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