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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

21
Out20

Kit de Sobrevivência V - Lao Tsé

KS V Lao Tse.png

Há umas semanas falei no meu desejo para 2020 (ver crónica "Kit de Sobrevivência II - George Addair"). Na verdade, creio que já estava n’O Caminho por causa da minha amiga Anamor ou Ana, como lhe chamam no sítio onde vive agora.

Conhecemo-nos na faculdade, é impressionante como podemos esquecer tantas coisas, mas lembro-me como se fosse hoje, a nossa primeira conversa. Anamor estava a falar com uma colega nossa sobre uma viagem à Turquia e, não consigo explicar bem porquê, senti um impulso que me levou a intervir e contar que também eu tinha estado na Turquia. Olharam as duas para mim, mas Ana não tinha um olhar reprovador por ter interrompido a conversa, pelo contrário, fez uma pausa, olhou-me nos olhos, esboçou um sorriso e disse: “tu é que podias participar numa viagem que estou a organizar!”.

E pronto, bastaram estas palavras, fui completamente sugada para o mundo da Anamor. Nos três anos que se seguiram, em que estava longe da minha família, dos meus antigos amigos, dos meus valores, todas as minhas crenças foram desafiadas, os meus dias foram preenchidos de atividades, organizações, cruzadas éticas, e sempre planos para o futuro.

Anamor é o mais próximo que alguma vez tive de uma irmã mais velha. Foi a única amiga com quem tive uma discussão abertamente e com quem fiz as pazes abertamente. É a minha amiga que desafia tudo o que penso, até ao mais ínfimo pormenor, todas as minhas relações, todas as minhas crenças até hoje e fá-lo comigo porque o faz com ela própria.

Quando estamos juntas, o tempo desaparece. Agora que é Mãe, tem aprendido muito e eu com ela. Tentamos não repetir os erros dos nossos Pais e, no entanto, iremos, inevitavelmente, cometer os nossos próprios erros. Os filhos dela são como meus filhos e, talvez o sintam, porque sempre que falamos ao telefone querem falar comigo. Os abraços deles são sinceros e apertados, o amor deles é como o amor da minha família – incondicional.

Apesar de estarmos longe, Anamor e eu falamos quase todos os dias. Sinto muita falta das infinitas possibilidades da nossa juventude, mas, de alguma forma sinto que estamos a plantar algo novo: deixamos quem fomos para nos tornarmos quem somos.

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