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O espaço das pequenas coisas

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16
Jun21

Kit de Sobrevivência XXXVI - Daisaku Ikeda

KS XXXVI Daisaku Ikeda.png

Nas últimas noites tenho tido dificuldade em dormir, não só pelo calor mas pela proximidade de um aniversário marcante na minha vida.

 

A minha Mãe sempre me disse que quando fez 30 anos a sua vida mudou. Nos meses que antecederam sentiu uma mudança dentro dela e sinto que o mesmo aconteceu comigo. Claro que uma ditadura e uma pandemia são momentos totalmente distintos mas agora consigo imaginar o que seria viver com medo, ter alguma liberdade restringida (ainda que a maior parte da nossa liberdade tenha estado intacta, nomeadamente a capacidade de continuar a escrever livremente o que penso e a ler o que me apetece).

 

Nestas noites, fico acordada a pensar na visão ingénua que tinha com 20 anos. Nessa altura, imaginava que teria uma carreira extraordinária no mundo académico e clínico, que manteria sempre o meu ativismo, viajaria pelo mundo inteiro e que aos 30 estaria casada e com um filho a caminho.

 

A vida deu muitas voltas e percebi neste último ano que os meus sonhos mudaram. Já não preciso da carreira genial, continuo o meu ativismo em diversas áreas através de outros meios – aqui e noutros projetos – e partilho um amor muito além dos contos de fadas. E mais importante, continuo a sonhar, a crescer e a desejar ser útil. Este é o meu derradeiro sonho e propósito: continuar a ser útil.

 

Então porque continuo a acordar às quatro e cinco da manhã? Porque a vida continuará a dar voltas enquanto continuo a fazer os meus planos e essa imprevisibilidade é tanto assustadora quanto entusiasmante. Já cheguei tão longe, muito mais do que poderia imaginar, suportada (literalmente) pela minha tribo: a minha família, os meus amigos e o caro leitor. Muito obrigada.

2 comentários

  • Para mim também foi esse o aspeto mais interessante! Quando tinha 5 anos imaginava que os 18 iam ser fantásticos porque ia tirar a carta e ser independente. Claro que aos 18 anos nada foi como imaginava aos 5 (é sempre melhor por ser real) e então pensei que aos 30 anos tudo iria ser diferente. Agora olho para mim aos 18 anos e a minha realidade é muito diferente, mas felizmente é sempre melhor por muito difícil que seja porque é real, palpável e não um sonho ou um desejo. Beijinho boa semana e obrigada pelo apoio sempre!
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