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O espaço das pequenas coisas

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23
Ago20

O Rei de Staten Island

the king of staten island.jpg

O texto seguinte contém spoilers!

Esta semana assisti a uma das acalmadas comédias do ano “The King of Staten Island” de Judd Apatow.

O filme, escrito em tom semi auto-biográfico, segue alguns meses dos 24 anos de Scott (Pete Davidson), na sua transição para a idade adulta: a separação da Mãe, a descoberta da carreira profissional, a vida amorosa, o desenvolvimento da identidade. O filme explora a ferida profunda deixada pelo Pai de Scott morreu quando Scott tinha apenas 7 anos (na realidade o Pai de Pete Davidson morreu ao tentar salvar uma família no hotel Marriott no 11 de Setembro de 2001).

O aspecto porventura mais tocante do filme surge na personagem da Mãe (Marisa Tomei) que toma medidas extremas, acabando por aceitar Scott por quem é, com as suas excentricidades e características muito próprias que tornam o filme uma experiência muito emocionante.

Não menos interessante é a dinâmica entre Scott e a irmã Claire (interpretada por Maud Apatow), num misto de cumplicidade e rivalidade, entre alianças para desfazer a relação da Mãe com o novo namorado e a competição natural entre irmãos.

Também curioso é o sentimento de nostalgia pelo que nunca existiu - ou o que nós, portugueses, conhecemos como o movimento saudosista - o desejo glorificação de Staten Island. “Se Brooklyn tem Williamsburg, Staten Island um dia também vai ser cool”, certo?

Talvez o aspecto mais majestoso deste Rei seja mesmo a forma forma como toma os amigos por garantidos. Esta ideia de que mesmo quando discordamos fundamentalmente, os amigos são para sempre.

Crescer, na maioria das vezes, significa perder alguém, como aliás Pete Davidson acaba por explicar. Sejam familiares ou amigos, perdemos as pessoas porque simplesmente deixamos de ter os mesmos valores, as mesmas crenças, a mesma visão. O que nos parecia tão certo (no caso de Scott, a qualidade das tatuagens que o próprio fazia aos amigos) rapidamente é desmontado (com uma das falas mais hilariantes do filme, acompanhadas de tatuagens verdadeiramente criativas).

Claro que não seria um filme de Judd Apatow sem um momento de redenção na personagem de Kelsey (Bel Powley), amiga (e interesse amoroso de Scott), com quem acaba por viajar até Manhattan e descobrir um mundo novo onde já não é Rei precoce, nem sequer Príncipe, é só mais um e o resto é história.

 

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