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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

10
Jan21

Bem-vindo 2021!

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Foto por: Anamor

 

A Porto Editora anunciou esta semana que a palavra do ano 2020 foi “saudade”. Faz sentido se pensarmos na singularidade da palavra, naquilo que a torna tão especial, tão portuguesa.

 

Lembro-me desse 12º ano, desses tempos místicos, da minha Professora falar sobre Fernando Pessoa e o movimento saudosista. Jamais esquecerei o que a minha Professora de Português disse: “saudade é uma palavra unicamente portuguesa. Ao contrário do que muitos pensam, saudade não é a tristeza causada pela ausência de algo ou alguém, mas a melancolia de algo que nunca se viveu, «do que há-de vir».”

 

Assim, talvez 2020 seja mesmo um ano que deixará saudade, pelo que nunca foi nem nunca poderá ser. A ausência absoluta de tanto: amigos, família, ocasiões importantes, abraços, trabalho, festas, tudo emaranhado num novelo que só o tempo e, com esperança, 2021 poderão desenrolar.

 

Começámos o ano com a notícia quase inacreditável de que o país estava, de facto, preparado para a chegada das vacinas e, com a prontidão do relógio de cuco do meu Avô, a vacinação começou a 27 de Dezembro de 2020.

 

Mas eis que, a 6 de Janeiro de 2021, os Bullies saíram da toca diretamente para o Senado, nos Estados Unidos, e para os debates presidenciais, em Portugal.

 

Ao ouvir o debate entre os candidatos mais à direita de Portugal, não pude deixar de apreciar a calma de Tiago Mayan Gonçalves perante o ruído permanente, comportamentos só vistos e aceites num estádio de futebol. Curiosamente, quando o candidato da Iniciativa Liberal se aproxima da “ferida que arde”, o seu oponente recusa, dizendo que tanto lhe faz se é do Benfica ou do Porto. A única pessoa por quem o candidato de extrema-direita radical parece ter o mínimo respeito é o atual Presidente da República, que o acusa no momento derradeiro do debate entre os dois de ter duas caras, ou melhor, dois tons: um quando vai a Belém, e outro nos debates. Poderá porventura abrir uma janela sobre como se desmascaram e combatem os populistas, os xenófobos, os demagogos, os sedentos de poder, os troca-tintas: com amabilidade e frieza, expondo cada um dos seus mitos.

 

Felizmente não escalámos ainda até Washington, onde um grupo de supremacistas brancos invadiu a instituição mais sagrada da Democracia: o Senado. A isto se chama um ato de terrorismo doméstico.

 

É por isso que, mal por mal, prefiro viver num país “de brandos costumes”, porque tenho saudades do que há-de vir. Um tempo de abraços, amor, paz, jantaradas e viagens, muitas. Enquanto o nevoeiro ainda paira, fiquemos atentos àqueles que ameaçam a nossa democracia.

20
Dez20

O melhor de 2020

 

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2020 não foi o ano que muitos de nós esperávamos. Quem podia prever uma pandemia (além do Bill Gates)? Quem podia prever que íamos passar quase 3/4 do ano confinados às nossas casas, às nossas famílias (se tivermos sorte), aos nossos pensamentos e sentimentos, ao nosso corpo e às suas constantes necessidades?


Mas 2020 foi também o ano de “cortar a gordura” (só metaforicamente como a balança constantemente me relembra) e ficar com o fillet mignon.

 

Para muitos, significou desapegar-se de bens materiais, fazer limpezas enormes, arrumar aquela “gaveta das pilhas”, começar a reciclar.

 

Para outros foram decisões mais saudáveis como cortar na carne, fazer mais exercício físico, dar passeios, nadar no mar, correr, fazer yoga.

Mas há ainda quem tenha tomado grandes decisões: restringir o ciclo de pessoas essenciais, o que levou a divórcios, conflitos familiares, tensões entre amigos.

 

Sobretudo, o que 2020 nos mostrou é que podemos e devemos viver de acordo com os nossos valores e quem está mal, não faz falta.

 

Porque em 2020 aconteceram muitas coisas boas: perante um evento completamente inesperado e assustador, tivemos de aprender a viver de uma forma diferente.

 

Tivemos a oportunidade de viver com menos coisas, mas com maior intimidade.

 

Pudemos conhecer os nossos vizinhos e dar uma mão amiga, nem que fosse só um bom dia atrás da porta.

 

Quando as coisas se tornaram mesmo assustadoras, com um simples gesto como bater palmas, pudemos agradecer aos nossos trabalhadores essenciais o acto heróico que escolhem prestar todos os dias.

 

Aprendemos a cozinhar novos pratos ou a fazer bolos ou bolachas, muitos aprenderam a fazer pão. Lemos tanto e livros tão bons que fizemos a boa e velha troca de livros sem covid nem nada!

 

Vimos séries e filmes que nunca teríamos visto, sacudimos a poeira dos jogos de tabuleiro da nossa infância. Alguns de nós tiveram melhor perder, outros nem tanto.

 

Ligamos a amigos, vimos as brincadeiras dos filhos através do telefone. Experimentámos novas danças, máscaras ou receitas de apps claramente feitas para audiências mais novas. Vimos Tios e Tias usarem poderes mágicos para se ligarem ao zoom para cantarmos os parabéns, rimos do ridículo destes tempos.

 

Perdemos amigos, familiares, conhecidos. Vimos tantas notícias que o nosso cérebro ficou em papa. Mas vimos também eleições Estados Unidos com um sentido de esperança no profundo azul do olhar de Joe Biden.

 

Todos os anos o meu desejo é o seguinte: “comer metade, andar o dobro e rir o triplo” (provérbio chinês). Se possível, abraçar mais tanto melhor. 

O melhor de 2020, para mim, foi escrever aqui n'O espaço das pequenas coisas e ter tantas pessoas a  caminhar comigo. Tem sido uma honra. Obrigada e até 2021!

 

 

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