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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

25
Abr22

25 de Abril sempre, fascismo nunca mais!

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O Espaço das Pequenas Coisas não podia deixar de assinalar este 25 de Abril de 2022, que assinala também o ano em que temos mais dias de Democracia e Liberdade do que Ditadura e Fascimo.

Naturalmente um reconhecimento especial a todos os que fizeram a Revolução dos Cravos e de forma exemplar.

Hoje, como em tantos dias, recordamos o saudoso Presidente Jorge Sampaio e o seu apelo à união: 25 de Abril sempre, fascismo nunca mais! 

01
Ago21

E depois do Adeus

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Fotografia: Rui Ochôa para Expresso

Há uma semana deixou-nos Otelo Saraiva de Carvalho e, com ele, mais uma peça do ideal da revolução.

 

Houve quem escrevesse que o cérebro por detrás do 25 de Abril não tinha ideais ou que estes mudavam consoante o vento, houve até quem tenha achado que seria apropriado, no próprio dia, dar voz aos opositores do Capitão de Abril. Por fim, encontrei algum consolo nas palavras de Manuel Alegre na crónica do Público a pedir o dia de luto nacional. A morte de Otelo foi tão significativa que mereceu destaque internacional.

 

É difícil compreender a contestação gerada, inflamada pelo próprio Presidente da República que afirmou: “é ainda cedo para a História o apreciar com a devida distância”. Sem Otelo, não havia 25 de Abril, não havia liberdade, não havia democracia. A revolução portuguesa é incontestavelmente das transições mais pacíficas do mundo, apenas com 4 mortes causadas pela própria PIDE. Uma revolução que foi levada a cabo por militares contra o seu comandante supremo.

 

Ao contrário de outros regimes, em Portugal, nunca houve julgamento de nenhum dos altos representantes do regime ditatorial: Salazar morreu, Marcello Caetano foi exilado no Brasil, os ministros perdoados (o que levou a que hoje tenhamos um Presidente da República filho do regime), os PIDES absolvidos e fez-se tábua rasa, um novo dia. As dezenas ou centenas de famílias dos torturados, desparecidos, mortos nunca viram julgamento, quanto mais justiça. Parece-me natural, e ainda assim condenável, que houve quem quisesse fazer justiça pelas próprias mãos. Assim nasceram as FP-25 pelas quais Otelo Saraiva de Carvalho foi julgado e cumpriu cinco anos de prisão.

 

No fim, a questão que se impõe é: com o desaparecimento de Otelo, o que acontece aos valores da revolução? Como o jornalista António Guerreiro explicou na sua crónica, com o desaparecimento dos “capitães de abril”, desaparecem também os ideais do 25 de abril: liberdade, democracia, igualdade. A sociedade ocidental é, hoje, muito mais homogénea e a violação das liberdades fundamentais é subliminar, através de Big Data, nepotismo e consumismo.  

 

Vídeo: António Zambujo para Rádio Comercial

 

28
Abr21

Kit de Sobrevivência XXIX - Marcelo Rebelo de Sousa

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No passado Domingo, 25 de Abril, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa surpreendeu os portugueses com um discurso de uma coragem notável, revisitando a história de Portugal, não deixando pedra sobre pedra, mas traçando pontes de reconciliação.

 

A partir da sua própria história de vida, Marcelo Rebelo de Sousa faz uma reflexão da História Portuguesa, desde as conturbadas lutas liberais (precedendo a libertação do Brasil do Império Colonial Português), até ao tempo da Ditadura, da qual o Pai de Marcelo Rebelo de Sousa fez parte como Governador de Moçambique e pela proximidade a Marcello Caetano (o nome do atual Presidente é uma homenagem ao então regente da ditadura).

 

No seu discurso, o antigo Professor universitário falou também do Período Colonial, com a sua complexidade e múltiplas contradições. A revolução do 25 de Abril, como lembra o atual Presidente, foi planeada e levada a cabo por militares das forças armadas que haviam estado na guerra do ultramar.

 

Talvez o aspeto mais comovente do discurso de Marcelo tenha sido a visão conciliadora da História, incluindo os que foram lutar, os que emigraram na esperança de uma vida mais justa, mas também dos que lutaram contra o Império Colonial Português, os que tendo vindo de Portugal se juntaram à resistência e dos que regressaram sem nada, os que ficaram em sociedades devastadas pelo colonialismo.

 

Ser Português é ser complexo, rico em História, em coragem para atravessar o desconhecido, mas também em crueldade da escravatura e do racismo. Segundo o atual Presidente devemos refletir sobre a História à luz dos valores atuais, sem condenações, mas retirando lições para não repetir os mesmos erros. Afinal, se o filho de um governante da Ditadura pode ser democraticamente eleito Presidente da República Portuguesa, podemos enquanto povo também evoluir. Refletir sobre como podemos lutar por Portugal mais justo, inclusivo e igualitário.

25
Abr21

25 de Abril sempre!

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Há 47 anos Amália estava nas aulas e ouviu alguém murmurar “houve Revolução! O regime vai cair!”. Era um alvoroço durante as aulas da manhã. Depois do toque para o almoço, Amália e os amigos correram para a rua, procurando ouvir na rádio o que tinha acontecido.


O Pai de Amália havia lutado pela Liberdade, co-organizando a campanha do General Humberto Delgado, firme na resistência à Ditadura. Muitos dos seus amigos estavam presos ou exilados. Tinha recebido várias ameaças, escapando apenas por um golpe de sorte.


Também Amália e os irmãos tinham resistido, à sua maneira, aos tentáculos da Ditadura, organizando encontros secretos para debater as suas ideias sobre como poderia ser a Democracia. Amália e os irmãos liam todos os livros secretos que o Pai conseguia comprar no “mercado negro” sobre marxismo, comunismo, socialismo, maoismo e tantos ismos. Distribuíam panfletos de manhã cedo na Escola e nunca falhavam os encontros.


Aos catorze anos, Amália foi chamada à PIDE. Tinha muito medo, será que a tinham apanhado? Pereceria na prisão como os amigos do Pai? Não! Seria corajosa e saberia defender-se. O Pai acompanhou-a e instruiu-a a não dizer nada. Até hoje, Amália pensa nesse dia, os PIDEs vermelhos e suados, sobre si a fazerem-lhe questões sobre os seus encontros, que amigos apareciam, sobre o que falavam.


Nesse 25 de Abril de 1974 não pensou mais no que tinha sido, permitiu-se sentir o que era: a Liberdade. Correu pelas ruas com os seus amigos, gritando “Viva a Liberdade!”, observando as centenas de pessoas que se reuniam na baixa. Sentia uma enorme esperança no futuro.


Amália fez parte de vários grupos depois da Revolução dos Cravos, lutou pela liberdade e igualdade, pelos direitos das mulheres e dos mais desfavorecidos.


Hoje Amália tem mais de 60 anos, mas transmitiu o seu espírito ativista à sua filha que aqui hoje conta a sua história.


A Democracia e a Liberdade não são garantidas, temos o dever cívico de lutar todos os dias pela igualdade de oportunidades e pela preservação do nosso planeta. Viva o 25 de Abril, viva a Liberdade!

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