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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

21
Abr21

Kit de Sobrevivência XXVIII - George Bernard Shaw

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Nas últimas semanas muita informação tem circulado sobre as vacinas e o plano de vacinação. Como São Tomé eu preciso de “ver para crer” por isso mergulhei na evidência científica, enquanto aguardava os inúmeros pareceres da Agência Europeia do Medicamento (EMA), da Direção Geral da Saúde (DGS) e da Organização Mundial da Saúde (WHO).

 

Como vários cientistas explicam, é difícil eleger a melhor vacina contra a covid porque atuam de formas distintas, têm tempos de eficácia diferentes e os efeitos secundários também divergem, entre outros critérios. Além disso, as normas de aprovação da vacina variam consoante os países (na União Europeia depende da EMA, nos Estados Unidos é a Food and Drug Administration), os canais de distribuição dependem do tempo de armazenamento de cada vacina e depois existem os fatores políticos.

 

Como o leitor poderá saber, a COVAX foi uma iniciativa subscrita pelos países da ONU para que todos os países pudessem receber vacinas em tempo útil e de forma mais igualitária (doses suficientes para vacinar pelo menos 20% da população em todas as nações). O problema é que alguns países fizeram acordos bilaterais com a indústria farmacêutica, ignorando o preço pré-estabelecido, a COVAX, as guidelines da WHO e o senso comum de comunidade.

 

Assim, o plano de vacinação está sujeito a uma variedade de fatores que nada têm a ver com a ciência e a evidência científica. Seria, em teoria, responsabilidade da comunicação social divulgar os factos, mas desde que vivemos na Era Digital, do instantâneo, do chocante, os editores parecem ter perdido o apetite pelo conhecimento e limitar-se a dados, teorias da conspiração, informação contra o que o que a DGS prevê e os experts convidados afirmam. Cortam descarada e repetidamente a informação divulgada nos boletins diários, nas reuniões do Infarmed e nas comunicações da DGS para caber num segmento de 20 segundos o mais chocante possível.

 

Naturalmente, muitos de nós sentimo-nos confusos porque tudo parece um enorme erro de comunicação. Como os princípios jornalísticos foram abandonados pela janela, o que hoje é verdade, amanhã será mentira e em tanta discrepância começaremos a desconfiar de tudo e de todos num caos absoluto, levando a recusas de vacinas, desconfinamento caótico, reconfinamento, apatia.

 

A solução? Divulgação da informação baseada na ciência nos meios de comunicação, verificação dos factos ainda que atrase a divulgação de uma notícia e continuação de estudos científicos para melhor compreensão da doença e vacinas.

 

Como dizia um sábio brasileiro numa viagem que fiz à Turquia: “informação não é conhecimento”, mas essa história fica para outro dia.

07
Abr21

Kit de Sobrevivência XXVI - Fernando Pessoa

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A quarentena, apesar de todas as coisas negativas que trouxe, também permitiu ter tempo para pensar, abrandar o ritmo, ganhar alguma perspectiva sobre vida, sobre o mundo, sobre as minhas escolhas, sobre as minhas palavras (literalmente).

 

Com alguma distância vi que os padrões que tinha para mim e para o mundo eram demasiado rigorosos e inatingíveis. Por exemplo, rapidamente examinava uma pessoa pelo que fazia, pelo seu estatuto profissional, pela sua perspetiva de carreira – a começar por mim. Muitos dos nossos preconceitos são adquiridos na primeira e segunda infância. Admito que, em parte, este preconceito provenha da exposição constante ao sucesso dos meus pais (mas os Pais não são tantas vezes os heróis?). Como disse, com a devida distância, percebo que foi um padrão interiorizado e reforçado pelas normas da sociedade, pelas minhas próprias experiências ao longo do tempo, com muitos agentes em diferentes contextos: académico, laboral, pessoal.

 

Com treino, meditação e introspecção, já consigo ser simultaneamente participante ativa de uma situação e observá-la com alguma distância, reflectir sobre o que está a acontecer enquanto acontece, observar as minhas reacções e parar, voltar atrás se for preciso e pedir desculpa sem cavar um poço de culpa mais fundo que a fossa das marianas. Também já sou capaz de estar sozinha, não sozinha, mas comigo mesma, sem medo das minhas falhas ou faltas. Hoje já não me importa tanto o que os outros possam pensar do meu estranho percurso de vida porque também já não julgo os outros pelo que fazem (ou pelo menos tento).

 

Quando era adolescente as minhas amigas diziam-me: “és tão empática” ou “és boa ouvinte” mas parecia-me absurdo porque só estava a ouvir. Anos mais tarde, quando conversava com uma amiga que estava com uma laringite, dei por mim a baixar também o meu tom de voz e, de repente, “fez-se luz”: percebi o que era empatia. Talvez a razão para não ter percebido até então tenha sido porque praticava-a pouco em mim mesma. Várias vezes fui muito crítica comigo mesma, disse coisas que nunca diria a uma amiga, mesmo em circunstâncias adversas.

 

E então, há um ano, veio a quarentena e tive de me confrontar comigo mesma. No processo percebi que os meus valores mudaram, as minhas relações mudaram, o que valorizo mudou. Hoje já não vivo inteiramente pelas normas da sociedade, mas também pelo que eu quero e sonho e penso muito bem antes de aceitar ou recusar alguma coisa.

 

Claro que os dias mudam e com eles há novos desafios, mas, no geral, diria que neste ano cresci muito. E gostava de dizer à minha adolescente que afinal vale a pena.

 

Nota: Este texto foi escrito seguindo as normas pré-acordo ortográfico.

17
Mar21

Kit de Sobrevivência XXIV - Schopenhauer

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Há um ano perdemos coletivamente a primeira pessoa para a covid-19. Há um ano entrávamos em confinamento.


Tenho passado muito tempo só. Não é bem só, é comigo mesma que é muito diferente. Como já escrevi em várias crónicas, esta pandemia fez-me questionar a vida que levava, os hábitos que tinha, a forma como investia o meu tempo.


Não foi logo nos primeiros dias, talvez só duas semanas depois do início do confinamento é que senti um desconforto, como uma cobra rastejante no Verão.


A princípio não liguei, procurava desenfreadamente novas formas de adormecer a dor que via em todo o lado, o medo que sentia.


Mas no início de Abril, era inegável a necessidade de parar, refletir, passar tempo comigo própria. Olhar bem no espelho, (re)conhecer-me, ver o que gostava, observar o que não gostava e decidir o que fazer.


A primeira coisa que fiz foi estabelecer uma rotina que me impedisse de cair na espiral do esquecimento, no poço das redes sociais, nas séries e filmes, nos livros e imaginação.


Depois percebi que era fundamental apanhar sol e todas as manhãs vestia um top de ginástica e ali mesmo na varanda do nosso apartamento, com vizinhos e tudo, lia durante um bocado ao sol.


O resto veio por arrasto: yoga ou alongamentos, pilates ou caminhadas, o importante era mover-me.


Comecei a escrever e assim nasceu O Espaço das Pequenas Coisas. As crónicas seguiram-se umas às outras e as ideias não paravam. Quem diria que tenho tanto para dizer?


Ultimamente a inquietação tem sondado as minhas noites como aquela cobra no Verão. Mas desta vez sinto que temos razões para ter esperança.

07
Mar21

O silêncio dos inocentes

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16 512 pessoas morreram com covid em Portugal. A maioria provavelmente morreu sem um abraço de despedida, nem sequer um olhar.


Esta semana assinalou-se um ano desde o primeiro caso conhecido de covid em Portugal.


Lembro-me do pânico que se sentia desde Fevereiro, a antecipação dos jornalistas pelo primeiro caso em Portugal. O horror que se vivia em Itália. Nunca esquecerei as imagens dos hospitais em Milão.


É difícil escrever com clareza sobre o que se passou há um ano porque há tanto luto, tanta perda, tanta tristeza. Mas hoje há também esperança: 1 milhão de pessoas vacinadas.


Por estes 16 512 inocentes que morreram sozinhos temos o dever cívico de ser responsáveis, respeitar o confinamento, unirmo-nos na esperança de um amanhã melhor e agradecer as pequenas coisas de cada dia.

14
Fev21

Amor

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Quando pensamos em São Valentim, pensamos no amor das comédias românticas de Hollywood ou nos trágicos romances da literatura francesa do século XVIII. Porém, o amor surge nos momentos mais inesperados e frequentemente nem é um amor romântico.


Há umas semanas submeti-me a uma cirurgia programada ao ombro. Antes de entrar no hospital, tinha muito medo do que iria encontrar: uma dor aguda quase insuportável, desconforto, velhotas tagarelas que queriam ver a novela, profissionais de saúde em burnout.


Aqui, n’O espaço das pequenas coisas, também há espaço para me retratar, pois o que recebi durante os dias em que estive internada foi uma lição de humildade, respeito e amor.


No primeiro dia, fiquei num quarto amplo, renovado, com uma cama confortável para o meu ombro, um armário só para mim. Comigo esteve sempre uma senhora que bem podia ser sósia da minha Avó. Por isso, pelo menos durante esses dias, pude reencontrar-me com a minha Avó, relembrar os seus gestos, o quanto gostava de doces, a sua amabilidade sublime.


No dia da cirurgia, a médica anestesista ficou comigo à entrada do bloco operatório, explicando-me o processo, distraindo-me do que se passava, contando-me que tinha uma “máquina de ler sonhos”, adormecendo-me gentilmente. Como disse a minha querida sogra, embarquei numa viagem: “primeiro o Alentejo, depois o Algarve e quando deres conta já estás na caminha”.


E assim foi. Nunca tive dores agudas, os médicos, enfermeiros, assistentes operacionais, senhoras da limpeza, todos falavam com calma e amor, como se estivéssemos numa bolha sem covid.


Naquela nossa bolha, o Enfermeiro perguntou-me sobre o meu blog enquanto administrava a minha medicação, a Enfermeira comentava o meu cabelo enquanto verificava as minhas tensões, o Enfermeiro acenava-me durante a noite para que não me assustasse com as rondas.


Na nossa bolha, os doentes tornaram-se amigos, as doenças apenas parte de uma história maior e com o apoio uns dos outros fomos saindo da unidade: “Saio amanhã!”, “Eu só na Quinta!”, “Bem melhor do que eu, que só vou na Sexta!”.


Comentávamos as dietas uns dos outros, uma vez Patrícia disse-me: “não sou uma Santa mas também não sei que mal fizeste para comer isso!”, referindo-se à minha dieta vegetariana. Rimo-nos pois os meus nuggets tinham melhor aspeto do que a sua farinha de pau.


Todas as manhãs dizíamos “bom dia” com o máximo de alegria para animar toda a gente e todas as noites desejávamos “bons sonhos” depois do chá.


Havia casos de tudo, recuperações de sequelas de covid, problemas gastrointestinais, dificuldades respiratórias, infeções no ouvido. Alguns estavam cansados das suas longas batalhas, outros ainda tinham força para a longa recuperação. Em todo o caso, unimo-nos o mais que as normas covid permitiram para que ninguém sentisse que estava só.


Faltam-me palavras para expressar a minha gratidão a todos os profissionais de saúde daquela unidade hospitalar que foram incansáveis no seu cuidado e delicadeza ao tratar de mim. Pude ver de perto a dedicação e cuidado que dedicam a todos os pacientes e uns aos outros, porque afinal são uma equipa.


Neste ano, o São Valentim tem, para mim, outro significado. Significa o amor maior, o amor que cuida, que não julga, que apoia, que não desiste, que está sempre lá. O amor que só existe na vida real.

07
Fev21

O Longo Inverno

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Fotografia: Andrea Mantovani para o New York Times

 

Tudo mudou. Nesta imagem do jardim de Tuileries, em Paris, podemos ver a devastação causada pelo covid. Não há crianças nas ruas, nem velhinhos nos bancos do jardim, nem pessoas apressadas. O mundo parece suspenso, como que a suster o ar à espera da próxima crise.

 

Esta semana Aleksei Navalny regressou à pátria-mãe, onde foi acolhido com um mandato de prisão. Milhares de pessoas protestaram nas ruas e foram presas, incluindo a sua mulher, Yulia Navalnaya. Não há dúvida de que pouco progresso foi conseguido desde a queda do muro de Berlim. Vladimir Putin parece governar como Lenin, envenenado os seus opositores ou mandando para a Sibéria aqueles que discordam da sua visão para a Rússia: expansão e oligarquia.

 

Em notícias mais tristes, Aung San Suu Kyi, líder birmanesa foi detida na manhã de Segunda-feira por um golpe militar. A sua complicada história, primeiro de heroína, a quem foi atribuído o Prémio Nobel da Paz, depois de vilã, quando se soube do genocídio dos Rohingya, uma minoria muçulmana de Myanmar.

 

Um golpe militar é sempre uma má notícia, significa que a democracia não teve guardiões à altura. Por esta razão, quando discuto com amigos ou família se os deputados devem todos ser vacinados, a minha resposta é: provavelmente não. Tal como em todas as outras profissões, deve ser definido um grupo de “indispensáveis” para a Assembleia da República, considerando-se, assim, “trabalhadores da linha da frente”. Naturalmente o Presidente da República e o Governo, provavelmente os líderes de bancada e outros deputados envolvidos em grupos de trabalho que não possam funcionar em teletrabalho. Se não houver Governo, quem nos governará? Se não houver deputados, quem fará leis? Trata-se de, com critérios apertados e sérios, defender a nossa democracia.

 

O Inverno já vai longo, mas só porque Portugal continua sucessivamente nos piores rankings. Não nego a "super tempestade"  de que fala Ricardo Araújo Pereira no “Governo Sombra” de há umas semanas, mas é preciso fazer mais e melhor, organizar e prever melhor.

16
Dez20

Kit de Sobrevivência XIII - Gabriel García Márquez

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O amor nos tempos de covid

 

Quando era adolescente, a Mãe frequentemente murmurava “todas as discussões começam por causa de um sabonete”. Na altura, não reconhecia como a Mãe era cool, com o seu pilates tão à frente do seu tempo, com as jóias da sua Avó, com as suas mãos de Mãe sempre prontas a sossegar os meus medos, mesmo quando a minha adolescência a rejeitava.

 

Aos 22 anos, finalmente, decidi ler “O amor nos tempos de cólera” de Gabriel Garcia Márquez e percebi porque “todas as discussões começam por causa de um sabonete”, pela mesquinhez, pelas pequenas coisas que reabrem velhas feridas. Naquele momento decidi que se algum dia tivesse a sorte de encontrar um amor tão grande como Florentino e Fermina ou Jim e Pam (versão moderna da série “The Office”), lutaria por esse amor com toda a minha energia até a completa exaustão.

 

Felizmente, alguns anos mais tarde, tive a sorte de encontrar um Príncipe Encantado. Desde o início soube que a nossa história seria daquelas dos filmes, mas quem podia imaginar tudo o que passámos?

 

Depois o covid obrigou-nos a mudanças radicais. De repente, tivemos que vir para casa, trabalhar a partir de casa, viver 24/7, cozinhar juntos, planear as refeições, compras e limpeza. Pela primeira vez, tivemos que nos olhar sem a correria do dia-a-dia, sem o ruído do trabalho, sem artefactos, observar o verdadeiro estado da nossa relação e decidir como viver este tempo.

 

Felizmente, temos o mesmo sentido de humor e conseguimos criar um plano, tivemos o apoio da nossa família e amigos, o amor mútuo. Durante estes meses só nos abraçamos mutuamente, o que nas nossas famílias alargadas é muito estranho. Começamos a jogar damas, xadrez, sobe e desce, glória e todo o tipo de jogos de tabuleiro e inevitavelmente o meu Príncipe ganha (tenho de estar mais atenta às minhas damas!).

 

Ultimamente temos feito da sexta-feira uma “date night” surpresa, cada um organiza à vez. O mais importante é nunca desistir. Quando se encontra um obstáculo, é importante manter uma visão comum, nem que demore 53 anos até atingi-la. O amor vale sempre a pena.

04
Nov20

Kit de Sobrevivência VII - The Dalai Lama

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À hora a que escrevo esta crónica não sabemos os resultados das eleições norte-americanas. Talvez não venhamos a saber durante dias, semanas ou, em último caso, meses.


Tenho vindo a pensar numa conferência a que assisti há uns meses da organização Girl Up com Meghan, Duquesa de Sussex. Anotei vários pontos sobre o seu discurso. “Compaixão é ver dor e sofrimento nos outros e saber que é o nosso dever ajudar a aliviá-lo”. Também me motivou a acreditar em “em nós próprios, no que nos torna únicos, a praticar o bem, mesmo quando é impopular ou nunca foi feito ou se nos assusta”. Gostei particularmente quando disse: “O medo pode ser paralisador mas a resposta está sempre dentro de nós”, senti-me verdadeiramente empoderada. Com a frase “criemos um mundo justo e bom”, traçou o Caminho e quando lhe perguntaram concretamente que passos dar a resposta foi curiosa: “acompanhar as minhas convicções de ações: às vezes é preciso só “deixar correr”, [por outro lado], o trabalho de cada dia vai acumulando e quando damos conta fizemos a diferença”. Mas a minha frase preferida e que uso muitas vezes em momento de crise: “PUSH THROUGH THE FEAR”

Eu sei que estas eleições são importantes. As implicações da vitória de um candidato ou outro são enormes para os EUA e para o mundo como expliquei na crónica Kit de Sobrevivência VI - Anónimo.  

Mas o aspeto talvez mais preocupante dos últimos 4 anos e que não gostaria de ver no futuro para os meus filhos é a polarização política, o extremar de opiniões, a impossibilidade de ouvir outro com cores diferentes das nossas.

Muitas vezes o meu Avô (ver crónica A persistência da memória) contava que todos se encontravam no café “A Brasileira: comunistas, fascistas, infiltrados da PIDE, antifascistas, independentes como o meu Avô, intelectuais, pintores, escritores, artistas de todo o género e por ali ficavam noite adentro a discutir o estado das coisas.

O meu Avô tinha amigos de todo o espectro político, desde comunistas a democratas-cristãos e apreciava conversar com todos porque todos traziam uma perspetiva diferente, todos concordavam em algo e no que não concordavam discutiam como um prazer de café.
Hoje os americanos saem para as ruas com armas cada vez que discordam e interrogo-me muitas vezes o que diria o meu Avô e o seu grupo de amigos que, entre uns cafés e uns cigarros, foram fazendo a revolução antifascista mais pacífica da história da humanidade.

11
Out20

As primeiras folhas do Outono

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Esta semana pela primeira vez fui picada por uma abelha! Nunca tal me tinha acontecido, a pobrezinha caiu no chão e, apesar de me doer muito o dedo, não pude deixar de reparar como caiu na primeira folha dourada que vi do ano.

 

De repente, já estamos no Outono do tal tão prometedor ano 2020 (ver crónica “Kit de Sobrevivência III - George Addair”). Nos dias que se seguiram, as noites ficaram mais curtas e frias, e finalmente pude arrumar a roupa de Verão e trazer a roupa de Outono. Como a Mãe sempre diz “é preciso criar espaço para as coisas novas” e por isso todos os anos faço uma boa seleção do que preciso realmente. Não diria que sou minimalista, mas sou definitivamente essencialista.

 

Num dos meus sketches preferidos do Saturday Night Live, intitulado “Bronx Beat” com as geniais Amy Pohler e Maya Rudolph, as “apresentadoras” queixam-se de tudo um pouco, mas, pelo menos, é “sweater weather” e repetem a frase exaustivamente.

 

Esta expressão faz-me sempre sorrir por dentro porque sei exatamente o que querem dizer: é mais um daqueles momentos que se repetem independentemente do que aconteça. Tenho escrito muito sobre o que não aconteceu, mas vou recapitular o que aconteceu. Ficamos em confinamento e aprendemos imensas coisas sobre nós próprios e a nossa família, encontramos novos passatempos, experimentamos receitas diferentes, apreciamos mais as pequenas coisas, lemos mais e melhor, eu escrevo mais, o meu príncipe aprendeu um novo instrumento musical, vimos mais séries, filmes e documentários do que podemos contar, debatemos temas improváveis, experimentámos todos os cremes e máscaras que recebi no Natal, andamos quilómetros sem fim, nadamos no oceano atlântico, fizemos ondas, apanhamos conchas, vimos estrelas cadentes e agora as folhas douradas a cair no chão...talvez 2020 não seja só mau afinal.

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