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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

30
Mai21

Quem casa, casa com a família

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Antes do Príncipe entrar na nossa família, o namorado de longa data da minha prima e amigo do meu Príncipe, desde logo fez o aviso: “tu não te inibas, pá! Tens que beber a sério!”. Claro que o discurso foi muito mais enfático e numa linguagem que não poderia reproduzir.


Quando o meu Príncipe entrou para a nossa família, no primeiro almoço de família não se inibiu de facto. Ficou mal disposto e um pouco zonzo. Mas foi aceite, coroado membro honorário da nossa família.


Passou a participar nos jantares de primos, nos almoços com os Padrinhos, nos aniversários e funerais. Em tudo o Príncipe pertence à nossa família.


À medida que íamos participando nas famílias um do outro, começamos a reparar nas peculiaridades de cada família, consequências das vivências familiares e únicas. A maneira como sempre cantamos os parabéns como o meu Avô cantava, a simplicidade com que dividimos as férias na casa de praia.


Da mesma forma, quando um casamento acaba, acaba também uma família. Todas as vivências são varridas da memória colectiva da família porque obviamente, no limite, os nossos de sangue são os nossos.


Mas as memórias ficam com cada um, as cervejas ao fim da tarde, os jogos de futebol, a delicadeza e bondade. Os casamentos acabam, as famílias separam-se mas as memórias perduram dentro de nós e através da próxima geração.

06
Dez20

As perdas que (não) partilhamos

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Fotografia de Paul Cupido,  courtesia da Danziger Gallery retirado do artigo "The Losses we share" no The New York Times

 

Foi com profunda tristeza que li a crónica de Meghan, Duque de Sussex no New York Times sobre a perda do seu segundo filho, em Julho deste ano. No ensaio, Meghan explica que, enquanto mudava a fralda do seu filho de um ano e meio, sentiu uma dor lancinante, caindo ao chão com o filho no colo, deixando-se ali ficar, cantando uma música de embalar numa tentativa de se acalmar a si e ao filho.

 

Esta descrição emocionou-me profundamente, especialmente quando vi os números ali, preto no branco: numa sala de 100 mulheres, 10 a 20 mulheres sofrem um aborto espontâneo. Se pensar no meu círculo mais íntimo, mais de 10 mulheres sofreram a perda de um filho. É uma dor inimaginável, um vazio terrível, um sentimento de culpa inexplicável. A maior parte das mulheres não fala sobre o assunto, talvez por medo, culpa, dor ou pelo vazio. Mas também por vergonha, como se de alguma forma, sentissem que são culpadas dessa perda.

 

Outro aspeto comovente nesta crónica foi a inclusão da dor partilhada com o marido/pai. A inclusão da figura do Príncipe Harry permite abrir a discussão sobre o luto que os pais também têm de processar, apesar de não experienciarem a perda no seu corpo. A família que espera ansiosamente a chegada de um/a irmã/o, neto/a, sobrinho/a, primo/a, afilhado/a. É nesta altura que a Duquesa de Sussex, se questiona sobre como se ultrapassam as perdas que partilhamos.

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