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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

12
Mai21

Kit de Sobrevivência XXXI - Gelong Thubten

KS XXXI Gelong Thubten.png

Se só pudesse escolher uma aprendizagem deste último ano é que a felicidade é, em certa medida, uma escolha.

Claro que existem eventos de vida absolutamente traumáticos e desesperantes, por isso vamos falar do dia-a-dia.

De manhã, abro as persianas e pode estar sol ou a chover, posso olhar para uma das janelas da minha casa que têm uma vista para um pequeno parque ou posso olhar por outra janela que tem prédios infindáveis. Posso focar-me nos passarinhos a cantar ou no barulho incessante dos carros na sua pressa matinal.

Uma das maiores mudanças que implementei neste ano foi tomar o pequeno-almoço com calma. Sem telefones, sem televisão, só eu e o meu príncipe, por vezes em silêncio, outras vezes a tagarelar sobre um assunto qualquer do dia. Aqueles quinze minutos fazem toda a diferença, porque no nosso amor encontro confiança e energia para o dia.  

Como Gelong Thubten, o monge budista, explica neste episódio do podcast que o leitor já conhecerá, o segredo da felicidade é a satisfação com o que temos. É aproveitar os momentos, ter compaixão, ser feliz com o que se tem. Às vezes a vida dá-nos umas voltas, mas, para mim, o segredo é encontrar as pequenas coisas que fazem o dia valer a pena.

 

No documentário "Democracia em vertigem", perguntam a Dilma Rouseff como aguentava a tortura a que foi sujeita durante dias. A sua resposta surpreendeu-me, Dilma disse “eu pensava: «é só mais um minuto, porque se você pensar mais não vai aguentar»”. Então, quando tenho os meus momentos difíceis faço duas coisas: 1) penso sempre “é só mais um minuto” e 2) foco-me nos meus momentos mais felizes. Às vezes está sol, outras vezes chove. Mas dentro de mim, há um Sol que brilha todos os dias. E o leitor, o que faz para se sentir feliz?

05
Mai21

Kit de Sobreviência XXX - Ursula von der Leyen

KS XXX Ursula von der Leyen.png

Há umas semanas, naquele que ficou conhecido como o sofagate, Ursula von der Leyen, enquanto Presidente da Comissão Europeia, participou numa reunião em Istanbul com o Presidente da Turquia e o Presidente do Conselho Europeu. Para espanto da própria, ao chegar ao local da reunião, verificou que literalmente não tinha lugar. Charles Michel e Erdogan tomaram os seus lugares e a Presidente ficou reduzida a um sofá.

 

Na semana passada, ao dirigir-se ao Parlamento Europeu, Ursula von der Leyen, explica que se sentiu “magoada e sozinha, como mulher e como europeia”. Num gesto certamente simbólico, Von der Leyen surge de casaco cor-de-rosa e blusa branca, possivelmente numa homenagem às Sufragettes, que já havia sido celebrada por algumas mulheres democratas do Congresso norte-americano.

 

O discurso é particularmente importante porque Ursula von der Leyen não foge à sua própria vulnerabilidade, pelo contrário, expõe-na como meio para denunciar o sexismo que ainda existe também na política.

 

Poderia ser mais um dia num qualquer local de trabalho, mas trata-se da (primeira) Presidente da Comissão Europeia. Não é só um sinal de desrespeito, é um sinal claro de desigualdade de género. A Presidente reconhece o seu privilégio num cargo de poder e a importância das imagens para a revolta popular por todo o mundo. No entanto, alerta também para os casos que não são divulgados, a esmagadora maioria. Mulheres e crianças que sofrem abusos de poder e nunca têm o poder da denúncia e são remetidas para o silêncio.

 

Este é um problema também dos homens que, como Charles Michele, são cúmplices na desigualdade de género. Não nos iludemos, caro leitor, a igualdade de género depende da cooperação de todos, como disse a Presidente. Precisamos de mais mulheres em cargos de poder político, económico, legislativo, judicial, entre outros, que possam tomar decisões de mulheres para mulheres. É urgente, o tempo de agir é agora.  

28
Abr21

Kit de Sobrevivência XXIX - Marcelo Rebelo de Sousa

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No passado Domingo, 25 de Abril, o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa surpreendeu os portugueses com um discurso de uma coragem notável, revisitando a história de Portugal, não deixando pedra sobre pedra, mas traçando pontes de reconciliação.

 

A partir da sua própria história de vida, Marcelo Rebelo de Sousa faz uma reflexão da História Portuguesa, desde as conturbadas lutas liberais (precedendo a libertação do Brasil do Império Colonial Português), até ao tempo da Ditadura, da qual o Pai de Marcelo Rebelo de Sousa fez parte como Governador de Moçambique e pela proximidade a Marcello Caetano (o nome do atual Presidente é uma homenagem ao então regente da ditadura).

 

No seu discurso, o antigo Professor universitário falou também do Período Colonial, com a sua complexidade e múltiplas contradições. A revolução do 25 de Abril, como lembra o atual Presidente, foi planeada e levada a cabo por militares das forças armadas que haviam estado na guerra do ultramar.

 

Talvez o aspeto mais comovente do discurso de Marcelo tenha sido a visão conciliadora da História, incluindo os que foram lutar, os que emigraram na esperança de uma vida mais justa, mas também dos que lutaram contra o Império Colonial Português, os que tendo vindo de Portugal se juntaram à resistência e dos que regressaram sem nada, os que ficaram em sociedades devastadas pelo colonialismo.

 

Ser Português é ser complexo, rico em História, em coragem para atravessar o desconhecido, mas também em crueldade da escravatura e do racismo. Segundo o atual Presidente devemos refletir sobre a História à luz dos valores atuais, sem condenações, mas retirando lições para não repetir os mesmos erros. Afinal, se o filho de um governante da Ditadura pode ser democraticamente eleito Presidente da República Portuguesa, podemos enquanto povo também evoluir. Refletir sobre como podemos lutar por Portugal mais justo, inclusivo e igualitário.

21
Abr21

Kit de Sobrevivência XXVIII - George Bernard Shaw

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Nas últimas semanas muita informação tem circulado sobre as vacinas e o plano de vacinação. Como São Tomé eu preciso de “ver para crer” por isso mergulhei na evidência científica, enquanto aguardava os inúmeros pareceres da Agência Europeia do Medicamento (EMA), da Direção Geral da Saúde (DGS) e da Organização Mundial da Saúde (WHO).

 

Como vários cientistas explicam, é difícil eleger a melhor vacina contra a covid porque atuam de formas distintas, têm tempos de eficácia diferentes e os efeitos secundários também divergem, entre outros critérios. Além disso, as normas de aprovação da vacina variam consoante os países (na União Europeia depende da EMA, nos Estados Unidos é a Food and Drug Administration), os canais de distribuição dependem do tempo de armazenamento de cada vacina e depois existem os fatores políticos.

 

Como o leitor poderá saber, a COVAX foi uma iniciativa subscrita pelos países da ONU para que todos os países pudessem receber vacinas em tempo útil e de forma mais igualitária (doses suficientes para vacinar pelo menos 20% da população em todas as nações). O problema é que alguns países fizeram acordos bilaterais com a indústria farmacêutica, ignorando o preço pré-estabelecido, a COVAX, as guidelines da WHO e o senso comum de comunidade.

 

Assim, o plano de vacinação está sujeito a uma variedade de fatores que nada têm a ver com a ciência e a evidência científica. Seria, em teoria, responsabilidade da comunicação social divulgar os factos, mas desde que vivemos na Era Digital, do instantâneo, do chocante, os editores parecem ter perdido o apetite pelo conhecimento e limitar-se a dados, teorias da conspiração, informação contra o que o que a DGS prevê e os experts convidados afirmam. Cortam descarada e repetidamente a informação divulgada nos boletins diários, nas reuniões do Infarmed e nas comunicações da DGS para caber num segmento de 20 segundos o mais chocante possível.

 

Naturalmente, muitos de nós sentimo-nos confusos porque tudo parece um enorme erro de comunicação. Como os princípios jornalísticos foram abandonados pela janela, o que hoje é verdade, amanhã será mentira e em tanta discrepância começaremos a desconfiar de tudo e de todos num caos absoluto, levando a recusas de vacinas, desconfinamento caótico, reconfinamento, apatia.

 

A solução? Divulgação da informação baseada na ciência nos meios de comunicação, verificação dos factos ainda que atrase a divulgação de uma notícia e continuação de estudos científicos para melhor compreensão da doença e vacinas.

 

Como dizia um sábio brasileiro numa viagem que fiz à Turquia: “informação não é conhecimento”, mas essa história fica para outro dia.

14
Abr21

Kit de Sobrevivência XXVII - Adam Grant

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Ultimamente tenho-me sentido exausta. Não sei se é o cansaço pandémico ou a constante preocupação transformada em listas, a verdade é que tenho dormido mal ou quase nada.

 

Depois de ouvir o podcast semanal da Deliciously Ella com Adam Grant “How to supercharge your brain” senti que tinha de recuperar o controlo da minha vida. Decidi experimentar a abordagem “científica” que Adam Grant propõe e analisei as áreas da minha vida: alimentação, sono e energia.

 

Como o leitor poderá saber, há quase um ano que mudei a minha alimentação e, apesar de inicialmente ter notado uma melhoria no meu bem-estar geral, a verdade é que o efeito se foi esbatendo. Podia olhar também para o meu padrão de sono, mas como a insónia é um “defeito” de família nem valia a pena uma análise crítica.

 

Percebi, então, que o meu corpo precisava de movimento. Retomei as minhas caminhadas, mas decidi elevar a dificuldade aumentando o meu objetivo de passos para 10 000 passos por dia. Além disso, retomei lentamente o yoga, só 10-15 minutos por dia, obviamente tendo em conta as limitações desde a cirurgia.

 

No entanto, o aspeto mais relevante desta mudança foi provavelmente retomar a meditação, especialmente o body scan. Esta técnica de meditação, que pratico através da app ao som da voz do monge budista Gelong Thubten, implica focar a atenção no corpo. Ao direcionar a atenção para as diferentes partes do corpo torna-se mais fácil deixar os pensamentos e preocupações, as listas intermináveis. Há muitos anos que faço meditação, mas este tipo de body scan é particularmente eficaz para pessoas que, como eu, passam demasiado tempo a pensar no passado e no futuro e esquecem-se que o presente é agora.

 

Esta pandemia, como já escrevi, fez-me repensar vários aspetos da minha vida. Talvez o mais relevante seja a maneira como invisto o meu tempo e disponibilidade, como cuido do meu corpo e como meço o sucesso.

07
Abr21

Kit de Sobrevivência XXVI - Fernando Pessoa

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A quarentena, apesar de todas as coisas negativas que trouxe, também permitiu ter tempo para pensar, abrandar o ritmo, ganhar alguma perspectiva sobre vida, sobre o mundo, sobre as minhas escolhas, sobre as minhas palavras (literalmente).

 

Com alguma distância vi que os padrões que tinha para mim e para o mundo eram demasiado rigorosos e inatingíveis. Por exemplo, rapidamente examinava uma pessoa pelo que fazia, pelo seu estatuto profissional, pela sua perspetiva de carreira – a começar por mim. Muitos dos nossos preconceitos são adquiridos na primeira e segunda infância. Admito que, em parte, este preconceito provenha da exposição constante ao sucesso dos meus pais (mas os Pais não são tantas vezes os heróis?). Como disse, com a devida distância, percebo que foi um padrão interiorizado e reforçado pelas normas da sociedade, pelas minhas próprias experiências ao longo do tempo, com muitos agentes em diferentes contextos: académico, laboral, pessoal.

 

Com treino, meditação e introspecção, já consigo ser simultaneamente participante ativa de uma situação e observá-la com alguma distância, reflectir sobre o que está a acontecer enquanto acontece, observar as minhas reacções e parar, voltar atrás se for preciso e pedir desculpa sem cavar um poço de culpa mais fundo que a fossa das marianas. Também já sou capaz de estar sozinha, não sozinha, mas comigo mesma, sem medo das minhas falhas ou faltas. Hoje já não me importa tanto o que os outros possam pensar do meu estranho percurso de vida porque também já não julgo os outros pelo que fazem (ou pelo menos tento).

 

Quando era adolescente as minhas amigas diziam-me: “és tão empática” ou “és boa ouvinte” mas parecia-me absurdo porque só estava a ouvir. Anos mais tarde, quando conversava com uma amiga que estava com uma laringite, dei por mim a baixar também o meu tom de voz e, de repente, “fez-se luz”: percebi o que era empatia. Talvez a razão para não ter percebido até então tenha sido porque praticava-a pouco em mim mesma. Várias vezes fui muito crítica comigo mesma, disse coisas que nunca diria a uma amiga, mesmo em circunstâncias adversas.

 

E então, há um ano, veio a quarentena e tive de me confrontar comigo mesma. No processo percebi que os meus valores mudaram, as minhas relações mudaram, o que valorizo mudou. Hoje já não vivo inteiramente pelas normas da sociedade, mas também pelo que eu quero e sonho e penso muito bem antes de aceitar ou recusar alguma coisa.

 

Claro que os dias mudam e com eles há novos desafios, mas, no geral, diria que neste ano cresci muito. E gostava de dizer à minha adolescente que afinal vale a pena.

 

Nota: Este texto foi escrito seguindo as normas pré-acordo ortográfico.

31
Mar21

Kit de Sobrevivência XXV - Einstein

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Tenho andado a pensar no navio encalhado no Canal do Suez. Lembro-me perfeitamente de ler sobre esta passagem na Enciclopédia, que é uma coisa que hoje já ninguém faz. O bloqueio deste canal impediu a travessia de dezenas de navios de carga, o atraso na expedição de centenas de artigos.

 

O mais curioso deste caso, para mim, foi o regresso à velhinha rota do Cabo das Tormentas, a única que tornava possível a passagem marítima entre o Oriente e o Ocidente. Não deixa de ser curioso como, às vezes, redescobrimos objetos que adorávamos ou damos um novo propósito às nossas coisas preferidas. Para mim são os livros.

 

Na minha mesinha de cabeceira tenho sempre, pelo menos, dois “montes”: no primeiro,  os livros que estou a ler: um de ficção, um de história ou uma biografia, o(s) livro(s) que quero ler em seguida e o meu kindle. No outro “monte” tenho o que chamo d’O meu cantinho feliz, uma pilha de livros, não mais que três ou quatro, que evocam memórias felizes ou que têm frases de que gosto ou um conceito que me agrada.

17
Mar21

Kit de Sobrevivência XXIV - Schopenhauer

KS XXIV Schopenhauer.png

Há um ano perdemos coletivamente a primeira pessoa para a covid-19. Há um ano entrávamos em confinamento.


Tenho passado muito tempo só. Não é bem só, é comigo mesma que é muito diferente. Como já escrevi em várias crónicas, esta pandemia fez-me questionar a vida que levava, os hábitos que tinha, a forma como investia o meu tempo.


Não foi logo nos primeiros dias, talvez só duas semanas depois do início do confinamento é que senti um desconforto, como uma cobra rastejante no Verão.


A princípio não liguei, procurava desenfreadamente novas formas de adormecer a dor que via em todo o lado, o medo que sentia.


Mas no início de Abril, era inegável a necessidade de parar, refletir, passar tempo comigo própria. Olhar bem no espelho, (re)conhecer-me, ver o que gostava, observar o que não gostava e decidir o que fazer.


A primeira coisa que fiz foi estabelecer uma rotina que me impedisse de cair na espiral do esquecimento, no poço das redes sociais, nas séries e filmes, nos livros e imaginação.


Depois percebi que era fundamental apanhar sol e todas as manhãs vestia um top de ginástica e ali mesmo na varanda do nosso apartamento, com vizinhos e tudo, lia durante um bocado ao sol.


O resto veio por arrasto: yoga ou alongamentos, pilates ou caminhadas, o importante era mover-me.


Comecei a escrever e assim nasceu O Espaço das Pequenas Coisas. As crónicas seguiram-se umas às outras e as ideias não paravam. Quem diria que tenho tanto para dizer?


Ultimamente a inquietação tem sondado as minhas noites como aquela cobra no Verão. Mas desta vez sinto que temos razões para ter esperança.

10
Mar21

Kit de Sobrevivência XXIII - Meghan, The Duchess of Sussex

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No dia 8 de Março celebramos o Dia da Mulher. A UN Women define a necessidade de celebrar este dia pelas seguintes razões:

1) Celebrar e refletir no progresso conseguido nos direitos das mulheres;
2) Um dia para exigir o fim da desigualdade de género.


A desigualdade de género é visível em todos os campos da nossa vida, enquanto mulheres: no trabalho, no acesso à igualdade salarial e à progressão da carreira; em casa, na distribuição do trabalho não-pago, i.e., tarefas domésticas, cuidado dos filhos; na educação dos filhos, no acompanhamento a consultas, na própria educação.


Algum progresso tem sido conseguido desde o tempo da minha Avó, mas a minha Avó já era a única mulher que usava calças na sua vila, não estudou porque gostava mais da vida social, pintava o cabelo de loiro e fumava o que era um escândalo numa pequena vila do Centro de Portugal.


A minha Mãe participou em movimentos estudantis na altura do 25 de Abril, fez dois cursos (num deles já estava grávida de mim), continua a estudar e trabalhar até hoje e é a pessoa mais independente que conheço.


No entanto, não é suficiente. Há ainda, em Portugal e no mundo, meninas e adolescentes, que querem estudar e não podem por motivos familiares ou financeiros, pela religião ou cultura, pela guerra ou desastres naturais, pela fome e pobreza. Isto é inaceitável. Tudo isto é inaceitável.


No mesmo dia, estreou a aguardada entrevista de Oprah aos Duques de Sussex. Ao ouvir Meghan, Duquesa de Sussex descrever o racismo e abuso que viveu senti-me zangada, chocada, triste e incrédula. Ninguém devia sofrer em silêncio.


Por isso, o meu desejo para este dia da mulher é que nos aceitemos por quem somos e não pelo que fazemos, que tenhamos a coragem de usar a nossa voz e criar oportunidades para as que vierem a seguir.

03
Mar21

Kit de Sobrevivência XXII - Séneca

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Há uns dias saiu o documentário realizado por Kevin Macdonald "A Vida num Dia 2020", filmado por pessoas de todo o mundo, no dia 25 de Julho de 2020. Este filme é, de certa forma, a continuação do documentário "A vida num Dia 2010", filmado por algumas das mesmas pessoas.

 

A história acompanha o dia de várias pessoas em todas as partes do mundo, desde o amanhecer até à noite. Vemos todas as regiões que o leitor possa imaginar, desde a Sibéria ao Brasil, a Itália, à China e ouvimos, consequentemente, várias línguas e dialetos que nos mostram como o mundo é rico e diverso culturalmente.

 

Nas cenas iniciais, vemos o nascimento dos primeiros bebés de 25 de Julho de 2020, alguns em casa, outros em hospitais muito sofisticados, mas todas as mães acompanhadas. Mostra bem a universalidade da experiência humana, como nascemos e morremos sozinhos, mas, com sorte, de certa forma acompanhados.

 

Depois há uma montagem com as diferentes, mas semelhantes, rotinas matinais: lavar a cara, lavar os dentes, tomar o pequeno-almoço. Mas também um vídeo tocante de um homem no Reino Unido que perdeu tudo na pandemia, que refere: “está na hora de mudar de sítio, nós, os invisíveis, tornamo-nos demasiado visíveis a esta hora”. A pobreza também pode ser encontrada em todo o mundo.

 

Ao longo do filme, algumas imagens são enternecedoras, outras devastadoras, as experiências humanas são tão diversas e complexas ao longo do dia quanto a dimensão do nosso planeta.

 

Há muitas coisas que nos unem enquanto espécie: todos nascemos; todos morremos; todos temos necessidades fisiológicas; (quase) todos ficamos doentes em alguma altura das nossas vidas; todos choramos, todos rimos; todos precisamos de amar e ser amados. No fim, três coisas são universais, independentemente da sua forma: amor, família, esperança.

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