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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

14
Nov21

Quem muda, Deus ajuda

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A minha Mãe, que é uma enorme fonte de sabedoria, sempre nos disse “quem muda, Deus ajuda”. Não sei como adquiriu todo este conhecimento e intuição, certamente dispensou muitas horas a refletir sobre o que a rodeava.

 

Nas últimas semanas, com todos os eventos políticos, sociais, sanitários e económicos que temos vivido, senti-me a entrar numa espiral de catastrofização e medo do futuro. Há quem chame a isso ansiedade, há quem o veja como uma forma de sobrevivência. Em todo o caso senti que precisava de me afastar.

 

Por sorte, uma das minhas grandes amigas vive noutra cidade e pude visitá-la durante uns dias. Refleti muito durante esses dias, parece-me que ao sair da minha rotina deu-me uma perspetiva mais clara sobre mim e sobre o mundo. E, naturalmente, voltei às pequenas coisas e a sua importância. Gestos simples, como quando algum amigo me envia uma mensagem a perguntar como estou são tão grandes para mim e podem ser insignificantes para outra pessoa. Da mesma forma, coisas que negligencio podem ser muito importantes para outros. Cada um tem a sua perspetiva, a sua forma própria de viver, o seu modus operandi. No fundo, a maioria de nós dá o seu melhor.

 

Também me apercebi de que “o jardim do vizinho parece sempre melhor”. E frequentemente é atingido pelas mesmas pragas, o mesmo Sol, o mesmo granizo, a mesma chuva. Tudo depende da importância que damos a nós mesmos, às nossas pequenas coisas que dão significado ao nosso dia.

 

 

LER DEVAGAR

Por falar em quotidiano, que delícia tem sido ler Amor e desejo na vida conjugal  (Editorial Presença) de Esther Perel. A autora, psicoterapeuta e educadora, põe a nu as relações conjugais, a intimidade, a sexualidade.

 

 

OUVIR COM CALMA

Durante alguns meses o ex-Governo Sombra era repetitivo e cansativo, mas com a mudança para SIC e a batalha legal, o programa com Carlos Vaz Marques, Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares parece ter ganho novo fôlego e tem-me acompanhado em formato podcast.

E, por falar em reflexões, não podia deixar de mencionar o podcast Philosophize This! com uma vastidão de temas, desde a Filosofia clássica a autores mais controversos. Um programa provocador e interessante.

24
Out21

Não te preocupes Gualter, amanhã será um dia melhor

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Esta semana foi uma semana horribilis. E não estou só a falar das negociações para o Orçamento de Estado e do momento em que me apercebi que podemos, de facto, ter eleições em Janeiro.


Começou na Segunda-feira, logo quando abri a janela e caía aquela chuva irritante que só pode ser encontrada no Norte. O tempo incerto que persistiu toda a semana levou-me a ajustar o roupeiro três vezes, arrumar a roupa de Verão, procurar os pijamas de inverno e encontrar o casaco de meia-estação. Tudo isto ocupou uma tarde e uma manhã e, por isso, atrasei-me no meu curso de escrita.


Como se não bastasse toda esta azáfama de primeiro mundo, com viagens familiares para cá e para lá, não tive tempo para me sentar, estudar, ler e pensar, para escrever com sentido de responsabilidade e criatividade.


Quando éramos pequenos, isto é, o meu irmão e eu, às vezes também tínhamos um dia nublado ou uma semana chuvosa. Nessas alturas, a Mãe passava os dedos pelos livros da Rua Sésamo, cuidadosamente organizados, e tirava o “livro do Gualter”.


Na história, o Gualter sofre uma série de peripécias: além de ser um dia chuvoso, chega atrasado para a escola, não tem o seu almoço preferido e, no caminho para casa, calca uma pastilha elástica e a sua bota fica presa. Ao chegar a casa, Gualter corre para o colo da Mãe, que o aconchega com uma toalha e recupera a bota. Quando regressa a casa, a Mãe conforta-o: “Não te preocupes Gualter, amanhã será um dia melhor”.


Já não sei quantas vezes a Mãe nos leu esta história, mesmo quando já éramos mais crescidos, mas, sempre que tenho um mau dia ou uma semana pior, repito as palavras para mim mesma. É que, apesar de tudo, hoje é o aniversário do meu irmão, por isso, é um dia muito melhor. Parabéns mano!

 

LER DEVAGAR

Além do livro Não te preocupes Gualter, recebi no correio o livro O sonho de um homem ridículo (Editora 34), que a par de O Idiota são obras menos conhecidas de Dostoievski, mas igualmente contemporâneas, acutilantes e fascinantes. 

OUVIR COM CALMA

Durante uma semana terrível, encontrei algum conforto nos Nocturnes de Chopin pelas mãos da enorme Maria João Pires. Talvez seja uma escolha estranha, mas quando me sinto assim, a melhor expressão é através da música.

 

 

11
Out20

As primeiras folhas do Outono

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Esta semana pela primeira vez fui picada por uma abelha! Nunca tal me tinha acontecido, a pobrezinha caiu no chão e, apesar de me doer muito o dedo, não pude deixar de reparar como caiu na primeira folha dourada que vi do ano.

 

De repente, já estamos no Outono do tal tão prometedor ano 2020 (ver crónica “Kit de Sobrevivência III - George Addair”). Nos dias que se seguiram, as noites ficaram mais curtas e frias, e finalmente pude arrumar a roupa de Verão e trazer a roupa de Outono. Como a Mãe sempre diz “é preciso criar espaço para as coisas novas” e por isso todos os anos faço uma boa seleção do que preciso realmente. Não diria que sou minimalista, mas sou definitivamente essencialista.

 

Num dos meus sketches preferidos do Saturday Night Live, intitulado “Bronx Beat” com as geniais Amy Pohler e Maya Rudolph, as “apresentadoras” queixam-se de tudo um pouco, mas, pelo menos, é “sweater weather” e repetem a frase exaustivamente.

 

Esta expressão faz-me sempre sorrir por dentro porque sei exatamente o que querem dizer: é mais um daqueles momentos que se repetem independentemente do que aconteça. Tenho escrito muito sobre o que não aconteceu, mas vou recapitular o que aconteceu. Ficamos em confinamento e aprendemos imensas coisas sobre nós próprios e a nossa família, encontramos novos passatempos, experimentamos receitas diferentes, apreciamos mais as pequenas coisas, lemos mais e melhor, eu escrevo mais, o meu príncipe aprendeu um novo instrumento musical, vimos mais séries, filmes e documentários do que podemos contar, debatemos temas improváveis, experimentámos todos os cremes e máscaras que recebi no Natal, andamos quilómetros sem fim, nadamos no oceano atlântico, fizemos ondas, apanhamos conchas, vimos estrelas cadentes e agora as folhas douradas a cair no chão...talvez 2020 não seja só mau afinal.

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