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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

18
Abr21

Bem-vinda Primavera!

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Esta semana, pela primeira vez neste ano e contra toda a situação atual senti esperança.


Bem sei que os Marqueses continuam a influenciar a Corte e a Pandemia assombra o nosso dia-a-dia, mas ao retomar os meus passeios no Parque senti o início de um novo ciclo.


Até aqui a Primavera parecia uma miragem, as flores ainda estavam escondidas, os passarinhos não chilreavam e o Sol escondia-se atrás das nuvens.


Mas esta semana foi como se o Universo conspirasse e a Primavera chegou. O Sol e o calor aqueceram a minha pele, os passarinhos vieram cantar todas as manhãs, as flores desabrocharam e até provei as primeiras framboesas do ano.


Somos uma espécie tão evoluída, com os nossos computadores e mercados financeiros e, no entanto, estamos sujeitos ao ciclo da vida como todos os seres da Natureza. Bem-vinda Primavera!

11
Abr21

A vida a acontecer

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Desde o início dos tempos, a Natureza é um ciclo quase perfeito, uma repetição contínua de padrões.


O Sol nasce e anuncia o dia, a Lua brinca às escondidas, trazendo consigo a noite. As abelhas e as flores trabalham em conjunto, numa sincronia perfeita que perpetua a vida.


Imaginemos agora, caro leitor, que este padrão é interrompido. As abelhas param de colher o pólen e, assim, termina a polinização. Durante um tempo, as flores murcham até que desaparecem da Terra. As abelhas, sem o seu alimento, deixam as colmeias e desaparecem do nosso planeta. Consequentemente outras espécies desaparecem também.


Mas a Natureza é justa e implacável, ainda que as flores e as abelhas desapareçam, a vida continua a acontecer porque no seu ciclo perfeito há sempre esperança de um novo dia.

07
Abr21

Kit de Sobrevivência XXVI - Fernando Pessoa

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A quarentena, apesar de todas as coisas negativas que trouxe, também permitiu ter tempo para pensar, abrandar o ritmo, ganhar alguma perspectiva sobre vida, sobre o mundo, sobre as minhas escolhas, sobre as minhas palavras (literalmente).

 

Com alguma distância vi que os padrões que tinha para mim e para o mundo eram demasiado rigorosos e inatingíveis. Por exemplo, rapidamente examinava uma pessoa pelo que fazia, pelo seu estatuto profissional, pela sua perspetiva de carreira – a começar por mim. Muitos dos nossos preconceitos são adquiridos na primeira e segunda infância. Admito que, em parte, este preconceito provenha da exposição constante ao sucesso dos meus pais (mas os Pais não são tantas vezes os heróis?). Como disse, com a devida distância, percebo que foi um padrão interiorizado e reforçado pelas normas da sociedade, pelas minhas próprias experiências ao longo do tempo, com muitos agentes em diferentes contextos: académico, laboral, pessoal.

 

Com treino, meditação e introspecção, já consigo ser simultaneamente participante ativa de uma situação e observá-la com alguma distância, reflectir sobre o que está a acontecer enquanto acontece, observar as minhas reacções e parar, voltar atrás se for preciso e pedir desculpa sem cavar um poço de culpa mais fundo que a fossa das marianas. Também já sou capaz de estar sozinha, não sozinha, mas comigo mesma, sem medo das minhas falhas ou faltas. Hoje já não me importa tanto o que os outros possam pensar do meu estranho percurso de vida porque também já não julgo os outros pelo que fazem (ou pelo menos tento).

 

Quando era adolescente as minhas amigas diziam-me: “és tão empática” ou “és boa ouvinte” mas parecia-me absurdo porque só estava a ouvir. Anos mais tarde, quando conversava com uma amiga que estava com uma laringite, dei por mim a baixar também o meu tom de voz e, de repente, “fez-se luz”: percebi o que era empatia. Talvez a razão para não ter percebido até então tenha sido porque praticava-a pouco em mim mesma. Várias vezes fui muito crítica comigo mesma, disse coisas que nunca diria a uma amiga, mesmo em circunstâncias adversas.

 

E então, há um ano, veio a quarentena e tive de me confrontar comigo mesma. No processo percebi que os meus valores mudaram, as minhas relações mudaram, o que valorizo mudou. Hoje já não vivo inteiramente pelas normas da sociedade, mas também pelo que eu quero e sonho e penso muito bem antes de aceitar ou recusar alguma coisa.

 

Claro que os dias mudam e com eles há novos desafios, mas, no geral, diria que neste ano cresci muito. E gostava de dizer à minha adolescente que afinal vale a pena.

 

Nota: Este texto foi escrito seguindo as normas pré-acordo ortográfico.

21
Mar21

Novo ano, as pequenas coisas

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Há quase um ano escrevia a minha primeira crónica aqui, n’O Espaço das Pequenas Coisas.


Numa altura em que o mundo parecia girar tão rápido, com ciclos de notícias e a incerteza sem fim, era nas pequenas coisas que encontrava refúgio para o meu coração acelerado, a minha mente constantemente perdida em pensamentos ruminativos.


Um ano depois, as minhas pequenas coisas foram aumentando em espaço, como o amor de uma Mãe se multiplica com a chegada de um novo filho.


Fui encontrando novos hábitos para me manter enraizada na minha visão - de onde venho, para onde quero ir - e fui ganhando coragem para voltar à minha rotina, mesmo quando falhava um dia ou às vezes uma semana.


Agora podemos rir desse tempo do House Party, da minha certeza na Páscoa em 2021, de todos os pratos de Chef queimados. Rir com compaixão pela ingenuidade, afinal, a esperança é o sentimento mais humano.


Talvez para o ano possamos rir de alívio ou então de exaustão ou descontentamento. Seja como for, continuarei a escrever porque nas palavras encontro o meu maior conforto e talvez o leitor possa encontrar também.

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