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O espaço das pequenas coisas

O espaço das pequenas coisas

29
Dez21

O melhor de 2021 - Séries

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Neste ano, n’O Espaço das Pequenas Coisas, as séries tornaram-se um programa semanal e motivo de extensas crónicas. Umas mais fantásticas, outras mais introspetivas, todas de uma qualidade artística visual e de performances de atores notáveis. O critério que usei foi serem séries que me transportaram no espaço/tempo e séries que me fizeram refletir sobre o mundo.

 

1. WANDAVISION de Marvel

O ano começou logo com a Marvel a entrar televisão adentro com um estrondoso feitiço da Scarlet Witch. Já tinha assistido a alguns filmes do MCU (Marvel Cinematic Universe) mas nunca tinha percebido o contexto, as personagens, enfim nunca me interessei. Mas Elizabeth Olsen é uma das minhas atrizes hollywoodescas preferidas (pode assistir a Sorry for your loss aqui). Quando vi que Paul Bettany participava na série percebi imediatamente que esta série seria diferente. Claro que tem efeitos especiais e lutas, mas é também uma homenagem à televisão norte-americana, ao imaginário coletivo desde Lucy a Modern Family, com cenas tão absurdas quanto espetaculares.

 

2. O MÉTODO DE KOMINSKY de Netflix

Uma série magnífica que recomendada pelo meu irmão que a descreveu da seguinte forma: “É juntar o Michael Douglas e o Alan Arkin e deixar a câmera a trabalhar”. Obviamente convenceu-me de imediato por termos gostos tão semelhantes e comecei a ver com o meu Príncipe que também se enamorou do diálogo sublime. É, de facto, uma série em que o leitor (e espectador) pode sentir que não acontece nada a não ser uma longa conversa entre dois amigos que contemplam a vida e o seu fim. É amizade profunda e sincera, que me fez pensar no meu círculo de amigos e no fim iminente desde que nascemos.

 

3. SCENES FROM A MARRIAGE de HBO

Esta série, para mim, não só é a série do ano, como duas grandes performances de dois grandes atores, colegas de faculdade e amigos. O diálogo é sublime, a interpretação do outro mundo e a realização e cenário lindíssimos. Ficaram comigo até hoje e ficarão no meu imaginário das séries a imitar a vida.

 

4. OZARK de Netflix

Poderia falar de Succession, claramente a série do momento, mas esta série que cuja última temporada estreará nas próximas semanas reúne humor, traição, jogos políticos, lavagem de dinheiro e, claro, Laura Linney. Uma série muito subvalorizada (apesar de ter levado para casa o Golden Globe), Ozark é uma série obscura e, por vezes, assustadora, que mostra bem a resiliência do espírito humano.

 

5. AND JUST LIKE THAT de HBO

Uma menção honrosa mas não podia deixar de cá estar. Se WandaVision entrou em grande, Sex and the City fecham o ano em grande. A nostalgia das amigas de Nova Iorque trazem agora novas amigas, mais controvérsia e muito que falar.

28
Nov21

Um psicoterapeuta (in)comum

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Há uns dias comecei a ver “The Shrink Next Door” (Apple+) e que delícia de dark humor. A série de 8 episódios e protagonizada por Will Ferrell e Paul Rudd (eleito o homem mais sexy do mundo pela revista People), acompanha a relação pouco ortodoxa de Marty (Ferrell) e Dr.Ike (Rudd). Uma relação que começa por ser de psicoterapeuta-paciente e que rapidamente evolui para uma relação de contornos pouco claros, com momentos vulneráveis, outros cómicos e outros pouco éticos.

 

Foi num desses momentos vulneráveis, que Marty vê-se confrontado por Dr.Ike com a sua própria mortalidade e com o seu papel patriarcal na família. Embora a observação seja evidente perante a morte de um Pai, não pude deixar de pensar os diferentes papéis que vamos ocupando na família.

 

Quando nascemos, entramos logo numa estrutura pré-estabelecida que estabelece um modelo sobre a forma como o mundo funciona. Depois os anos passam e vamos tendo as nossas próprias experiências, primeiro com a socialização de pares no jardim de infância, depois com a escolaridade, a adolescência e os desafios da individuação/separação dos pais e consequente criação de um paradigma do mundo único e individual. Mais tarde, se tivermos sorte, o nosso paradigma e transformado pelo amor e assim nasce um novo paradigma: um filho ou uma filha. Se tivermos sorte, muito mais tarde, a nossa visão do mundo é mais uma vez alterada quando morrem os nossos Pais e cabe-nos então ocupar o papel de matriarca ou patriarca.

 

Os espaços interessantes são entre etapas, quando estamos no processo de uma etapa para outra. Embora possa parecer-nos quase impossível essa transição, pela dor que inerentemente traz, a verdade é que já chegámos até aqui. E por isso continuamos a caminhar.

 

VER NO SOFÁ

Além da supracitada The Shrink Next Door (Apple +), uma das séries mais bonitas a que assisti há muitos anos chamada Babies (BBC), parece estar a ser “replicada” na nova série documental Babies (Netflix), permitindo observar o desenvolvimento de bebés de todo o mundo. Um mundo fascinante para quem é curioso sobre como funcionamos.

 

O cinema está ao rubro e eu mal posso esperar para ver o muitíssimo antecipado Mães Paralelas (Pedro Almodóvar) que conta a história de duas mais que dão à luz no mesmo dia e o que significa ser Mãe e os seus múltiplos papéis.

03
Out21

Cenas de um casamento

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Fotografia: HBO

Estreou, há umas semanas a tão aguardada mini-série de Hagai Levi Scenes from a marriage (HBO), um remake da série de culto de Ingmar Bergman (1973). A série acompanha Jonathan e Mira, um casal na casa dos quarenta com uma filha e cujo casamento enfrenta uma crise. Os diálogos são incríveis, a cenografia fenomenal, a interpretação de Jessica Chastain e Oscar Isaac soberba. Todos estes fatores contribuem para uma modernização da série de Bergman, tornando-a contemporânea e satisfatória.

 

Ao longo dos últimos meses tenho assistido e participado em alguns casamentos de amigos e família. A vacinação permitiu retomar a celebração do amor. E, no entanto, não deixo de pensar nas palavras de Mira no primeiro episódio, quando confrontada com o conceito de casamento: "Equilíbrio. No início de um casamento, como casal nada nos pode magoar, e gradualmente percebes que, na realidade, tudo te pode magoar."

 

Numa altura em que há cada vez menos casamentos, não posso deixar de colocar como hipótese que todos temos medo de nos magoar e, por isso, nunca estamos realmente vulneráveis, expostos.

 

VER NO SOFÁ

Além do supracitado Scenes from a marriage (HBO), não posso deixar de mencionar a estreia de 007 - No time to die (MGM, EON).A estreia, que já foi adiada três vezes, não desiludiu e o filme, o último de Daniel Craig, promete.

 

PASSEAR

Agora que as restrições quanto ao uso de máscara diminuíram, podemos finalmente respirar. Literalmente e figurativamente. Embora o tempo não esteja muito convidativo, qualquer desculpa serve para ir ao Parque, passear à beira-mar ou fazer uma caminhada na montanha. 

 

 

09
Mai21

Mudam-se os tempos, muda-se a Visão

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Imagem: Marvel

 

Há algumas semanas vi a série “WandaVision” da Marvel. Não era particularmente fã do género “ficção cientifica” ou “banda desenhada” mas esta série não encaixa num género devido à sua escrita fenomenal e aos actores Elizabeth Olsen e Paul Bettany.


Ao longo da série, vemos Wanda (Olsen) e Vision (Bettany) como um típico casal que se mudou para os subúrbios. No entanto, toda a ação decorre como se estivessem numa sitcom americana, no qual cada episódio presta homenagem a uma década, desde 1950 de Dick Van Dyke até aos dias de hoje com “Modern Family”. Toda a roupa, luzes e formato mudam a cada episódio, bem como a performance dos atores que passa de um tom cómico teatral dos anos 1950 a uma performance mais “natural” dos tempos de hoje.


Desde que vi a série, comecei a pensar noutras séries que tinha visto durante a minha vida. Quando era adolescente e já jovem adulta, passava “Foi assim que aconteceu” (How I met your mother) na televisão portuguesa, que acompanhei desde o início.


Foi uma experiência completamente nova rever a série enquanto adulta e com mais de uma década de distância. Em primeiro lugar, nessa série ainda usavam uma audiência que introduz a deixa “RIR AGORA”, o que de certa forma me chocou. Como pude passar tanto tempo sem notar alguém a pré-determinar o que devemos sentir ao ver a cena?


Este truque não é novo, não é por acaso que 60% do orçamento de um filme se destina ao departamento de som. O som é muito importante para qualquer arte, é por isso que aprecio tanto os filmes europeus.


Um bom gestor do departamento de som sabe que, geralmente, o silêncio não é a ausência de som ou emoção. É no silêncio que encontramos espaço para sentir os nossos próprios sentimentos, afectos e emoções. Por isso sinto tanta falta de ir ao Teatro.

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